Violência contra mulheres é “pandemia mais longa e mortal do mundo”, diz secretário-geral da ONU

Nações Unidas realizaram um debate sobre o papel que meninos e homens precisam desempenhar para ajudar a eliminar a violência de gênero

As Nações Unidas realizaram um debate sobre o papel que meninos e homens precisam desempenhar para ajudar a eliminar a violência de gênero, em um evento paralelo da Conferência anual da Comissão sobre a Situação da Mulher (CSW), que acontece até sexta.

Em sua fala, o secretário-geral da ONU, António Guterres, avaliou que a violência contra mulheres e meninas pode ser a “pandemia mais longa e mortal do mundo”, ao lembrar que uma mulher é morta a cada 11 minutos por um parceiro ou membro da família.

“Não podemos aceitar um mundo em que metade da humanidade esteja em risco nas ruas, em suas casas ou online. Devemos acabar com a violência contra mulheres e meninas – agora”, afirmou secretário-geral. “Os homens criaram esse flagelo. Os homens devem acabar com isso”, defendeu.

A violência contra mulheres e meninas pode ser a “pandemia mais longa e mortal do mundo”, avaliou o secretário-geral da ONU, António Guterres, na terça-feira (22), durante um evento focado no papel que meninos e homens precisam desempenhar para ajudar a eliminar a violência de gênero.

“Uma em cada três mulheres em todo o mundo experimentou diretamente a violência”, disse Guterres em uma mensagem de vídeo em um evento paralelo da Conferência anual sobre a Situação da Mulher (CSW).

Ele observou que, a cada 11 minutos, uma mulher é morta por um parceiro ou membro da família, muitas vezes em sua própria casa, “onde ela deveria estar mais segura”.

“Não podemos aceitar um mundo em que metade da humanidade esteja em risco nas ruas, em suas casas ou online. Devemos acabar com a violência contra mulheres e meninas – agora”, afirmou o secretário-geral.

Seja a transformação – Mudar “os corações e mentes de homens e meninos” é o primeiro passo, de acordo com o alto funcionário da ONU. “Os homens criaram esse flagelo. Os homens devem acabar com isso”, defende Guterres.

Segundo ele, isso começa com todos os homens se olhando no espelho e se comprometendo a erradicar a “dinâmica de poder desequilibrada, a masculinidade tóxica e as normas e estereótipos culturais que alimentaram essa violência ao longo de milênios”.

Imagine a mudança – Da Europa à Ásia e da África às Américas, a COVID-19 desencadeou aumentos dramáticos na violência contra as mulheres em todas as regiões do mundo.

Nos primeiros dias da pandemia em 2020, o chefe da ONU pediu o fim da crescente onda de violência contra mulheres e meninas.

Para esse fim, a Iniciativa Spotlight da ONU até agora educou 880.000 homens e meninos sobre masculinidade positiva, relacionamentos respeitosos e resolução não violenta de conflitos.

De motoristas de táxi a clubes esportivos, os homens estão participando ativamente de programas para prevenir a violência de gênero e apoiar as mulheres sobreviventes, informou Guterres ao evento.

Enquanto isso, a ONU está trabalhando com governos e legisladores para fortalecer leis e regulamentos que melhor protejam mulheres e meninas.

“Sabemos que a mudança é possível”, disse Guterres.

É necessário mais trabalho – Desde que o Grupo de Amigos para a Eliminação da Violência contra Mulheres e Meninas foi criado em 2020 – como resposta ao apelo do secretário-geral – seus membros aumentaram para quase 100.

“Mas é hora de fazer mais”, disse o alto funcionário da ONU, lembrando que, como a questão não está vinculada a nenhum país, todos devem agir.

Ele argumentou que as propostas apresentadas em seu relatório Nossa Agenda Comum apresentado aos Estados-membros no ano passado “fornecem um roteiro para enfrentar esse desafio com a urgência estratégica que merece”.

“Pedimos a todos os Estados Membros que desenvolvam um plano de emergência para prevenir e responder à violência de gênero”, afirmou o chefe da ONU.

Aproveite a oportunidade – Ele descreveu o evento como uma oportunidade para cada participante começar a dar vida aos planos, apoiando-se na experiência da ONU e nos modelos positivos fornecidos pela Iniciativa Spotlight”, e fazer com que outros países participem.

“Vamos trabalhar juntos para garantir que todas as mulheres e meninas possam viver suas vidas livres de violência, com segurança, dignidade e liberdade que merecem”, concluiu o secretário-geral.

Sob o tema Igualdade de gênero e empoderamento de todas as mulheres e meninas no contexto das mudanças climáticas, políticas e programas ambientais e de redução de risco de desastres, a 66ª CSW começou em 14 de março e decorrerá até sexta-feira (25).

Edição do Anexo 6: Sérgio Botêlho, com informações das Nações Unidas

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