Vereador flagrado em fala racista, na Câmara Municipal de São Paulo, se contradiz em duas versões

Em sua fala, Camilo disse que “não lavar a calçada… é coisa de preto”; depois disse que se referia a carros para, em uma segunda explicação, que falava com um grande amigo negro

Protagonista de manifestação racista, nesta terça-feira, 04, na Câmara Municipal de São Paulo, o vereador Camilo Cristófaro (PSB) apresentou duas versões diferentes para a sua fala, captada em uma intervenção virtual em sessão do legislativo paulistano.

Na fala do vereador, ouviu-se dele a seguinte frase:  “Não lavar a calçada…é coisa de preto, né?””, no momento em que aguardava a participação em videoconferência e se encontrava com o microfone aberto.

Em vídeo enviado aos colegas, Cristófaro afirmou que se ‘carros pretos que são f… e não é fácil para cuidar da pintura’. 

“São 11h20 da manhã e estou fazendo uma gravação aqui. Estou dizendo exatamente que esses carros pretos dão trabalho. Que os carros pretos são f… Estou dizendo aqui que carro preto não é fácil para cuidar da pintura. Então, se a vereadora Luana olhou pro outro lado, 70% das pessoas que me acompanham, vereadora, são negros. Então, a senhora não vêm com conversa. Olha só, estão lavando aqui, oh. Estou dizendo que carro preto dá trabalho, que carro preto é f… dão mais trabalho para polir”, afirmou no vídeo. .

Depois, em  reunião presencial no Colégio de Líderes, ele modificou o episódio, contando o seguinte: “Eu ia gravar um programa que não foi gravado lá no meu galpão de carros. Eu estava com o Chuchu, que é o chefe de gabinete da Sub do Ipiranga, e [ele] é negro. Eu comentei com ele, que estava lá. Inclusive no domingo nós fizemos uma limpeza e quando eu cheguei eu falei: ‘isso aí é coisa de preto, né?’. Falei pro [Anderson] Chuchu, como irmão, porque ele é meu irmão”, afirmou o vereador.

“Se eu errei é porque eu tenho essa intimidade com ele, porque ele me chama de carequinha, ele me chama de ‘veínho’. Nós temos essa intimidade. Ele é um irmão meu”, completou.

Outra investigação 

Cristófaro já responde por outra acusação de racismo contra um colega quando, em setembro de 2019, ele comentou uma fala do vereador Fernando Holiday (Novo), qie é negro, dizendo que Hollidey seria “o grande ‘macaco de auditório’ das redes sociais dando risada dessa Casa”.

Agora, os vereadores irão protocolar, na Corregedoria da Câmara, outra acusação contra Cristófaro, acompanhada de um pedido de investigação contra ele. Segundo matéria no G1, o presidente da Casa, Milton Leite (União Brasil), se disse “indignado mais uma denúncia de episódio racista dentro da Câmara”.

“É com uma indignação imensa que lamento mais uma denúncia de episódio racista dentro da Câmara de Vereadores de São Paulo, local democrático, livre e que acolhe a todos. Como negro e presidente da Câmara tenho lutado com todas as forças contra o racismo, crime que insiste em ser cometido dentro de uma Casa de Leis e fora dela também. O caso será apurado pela Corregedoria da Câmara Municipal”, disse em nota.

Também segundo o G1, para a vereadora Luana Alves (PSOL), que estava na CPI dos Aplicativos e na reunião do Colégio de Líderes da Câmara, a fala do colega é reflexo de outros episódios racistas não punidos pela Corregedoria do Legislativo.

“Quando a gente tem casos de racismo na Câmara Municipal de SP, como tivemos diversos desde quando virei vereadora, e esse crime não é punido, é esse tipo de coisa que acontece. Os vereadores se sentem à vontade para terem falas racistas em plenário. Fico indignada que depois de um vazamento tão claro o vereador venha no Colégio de Líderes justificar…”, declarou Luana.

Fonte:

Vereador Camilo Cristófaro dá duas versões diferentes para áudio vazado na Câmara de SP com fala racista | São Paulo | G1 (globo.com)

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