UNICEF: 2 milhões de crianças e jovens estão fora da escola no Brasil

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) fez um alerta, chamando atenção para o fato de duas milhões de crianças e adolescentes estarem fora da escola no Brasil atualmente. A agência da ONU faz um apelo para que eleitoras e eleitores de todo o país votem urgentemente em candidatos que priorizem a Educação.

A pedido do UNICEF, o Ipec realizou uma pesquisa com 1,1 mil pessoas de 11 a 19 anos que estudam em escolas públicas, ou que não estão na escola e não completaram a educação básica. No total, 11% dos entrevistados não estão frequentando a escola, sendo que, na classe AB, o percentual é de 4%, enquanto, na classe DE, chega a 17% – ou seja, é quatro vezes maior.

A pesquisa apontou que trabalho infantil e dificuldades de aprendizagem são os principais motivos da evasão escolar. Entre quem não está frequentando a escola, metade (48%) afirma que deixou de estudar “porque tinha de trabalhar fora”.

Após mais de dois anos de pandemia de COVID-19, e faltando pouco tempo para as Eleições 2022, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) faz um alerta a eleitoras e eleitores: é urgente priorizar a Educação no Brasil. Um estudo inédito, realizado pelo Ipec para o UNICEF, revela que dois milhões de meninas e meninos de 11 a 19 anos que ainda não haviam terminado a educação básica deixaram a escola no Brasil. Eles representam 11% do total da amostra pesquisada.

O estudo confirma a crise profunda da Educação no Brasil. Por isso, o UNICEF lançou a campanha #VotePelaEducação, em parceria com a Artplan, agência do Grupo Dreamers, mobilizando a sociedade para que cobre de candidatas e candidatos que priorizem a Educação se eleitas e eleitos. Para reverter o cenário de exclusão e fracasso escolar, nos próximos quatro anos, serão necessárias políticas públicas fortes e consistentes.

Realizada em agosto deste ano, ouvindo meninos e meninas de todas as regiões do país, a pesquisa mostra que a exclusão escolar afeta principalmente os mais vulneráveis. No total, 11% dos entrevistados não estão frequentando a escola, sendo que, na classe AB, o percentual é de 4%, enquanto, na classe DE, chega a 17% – ou seja, é quatro vezes maior.

Entre quem não está frequentando a escola, metade (48%) afirma que deixou de estudar “porque tinha de trabalhar fora”. Dificuldades de aprendizagem aparecem em patamar também elevado, com 30% afirmando que saíram “por não conseguirem acompanhar as explicações ou atividades”. Em seguida, 29% dizem que desistiram, pois “a escola não tinha retomado atividades presenciais” e 28% afirmam que “tinham que cuidar de familiares”. Aparecem na lista, também, temas como falta de transporte (18%), gravidez (14%), desafios por ter alguma deficiência (9%), racismo (6%), entre outros.

Evasão – Entre os estudantes que estão na escola, a evasão é um risco real. Segundo a pesquisa, nos últimos três meses, 21% dos estudantes de 11 a 19 anos de escolas públicas pensaram em desistir da escola. Entre os principais motivos, está o fato de não conseguirem acompanhar as explicações ou atividades passadas pelos professores – item citado por 50% dos que pensaram em desistir.

“O país está diante de uma crise urgente na Educação. Há cerca de dois milhões de meninas e meninos fora da escola, somente na faixa etária de 11 a 19 anos. Se incluirmos as crianças de 4 a 10 anos, o número certamente é ainda maior. E a eles se somam outros milhões que estão na escola, sem aprender, em risco de evadir. É urgente investir na inclusão escolar e na recuperação da aprendizagem. Por isso, o UNICEF vem a público fazer esse alerta e conclamar eleitoras e eleitores a votar pela Educação”, afirma a chefe de Educação do UNICEF no Brasil, Mônica Dias Pinto.

Esperança – “Apesar dos enormes desafios, a maioria dos estudantes declara estar feliz por ter voltado presencialmente para a escola”, diz Mônica. Depois do longo período de fechamento das escolas, que impactou profundamente a vida de meninas e meninos, estar na escola é um fator de esperança. Segundo a pesquisa, entre quem está frequentando a escola pública, 84% dizem estar interessados nos estudos, 71% se sentem animados e 70% estão otimistas com o futuro.

Ao comparar a escola de hoje com a de antes da pandemia, os estudantes apontam pontos positivos. A maioria diz que, em suas escolas, os cuidados de higiene aumentaram (66%), que aumentou o nível de exigência dos professores (56%), que aumentaram o quanto aprendem nas aulas (55%) e sua frequência escolar (52%). Os estudantes de escolas públicas também destacam o esforço da escola em fazer avaliações do que cada um aprendeu durante a pandemia e suas dificuldades (79%) e afirmam que a escola está desenvolvendo atividades que favorecem um bom relacionamento entre os estudantes (71%).

“Os dados mostram a importância da escola pública na vida de meninas e meninos em todo o Brasil. Os estudantes confiam na escola como espaço de aprendizagem e de interação com seus pares. Eles valorizam o esforço dos educadores e estão dispostos a retomar seu direito de aprender”, afirma Mônica.

Saúde mental – Quando perguntados sobre questões relacionadas à saúde mental, a grande maioria dos estudantes de escolas públicas (80%) diz que é necessário que a escola ofereça atendimento de profissionais para apoio psicológico aos estudantes, e espaços em que eles possam falar sobre os sentimentos (74%). Esses dois itens, no entanto, nos últimos três meses, só foram oferecidos por 39% e 43% das escolas, respectivamente, segundo os entrevistados.

Aulas presenciais – Por fim, os estudantes dizem que ainda há escolas fechadas, apenas oferecendo aulas remotas, no país. Enquanto 92% dos estudantes de escolas públicas dizem que sua escola só tem aulas presenciais, ainda há 5% que afirmam ter aulas presenciais e remotas, e 3% que têm apenas aulas remotas. A região norte é a que apresenta o cenário mais desafiador, com apenas 82% dos estudantes das escolas públicas dizendo ter aulas totalmente presenciais e 11% dizendo ter apenas aulas remotas.

“Não se pode mais aceitar que escolas continuem fechadas no Brasil em meados de 2022. É urgente tomar as medidas necessárias para que cada criança, cada adolescente possa estar presencialmente na escola, sem exceção”, defende Mônica.

Campanha #VotePelaEducação – Para chamar a atenção de eleitoras e eleitores para a urgência de priorizar a Educação na hora do voto, e acompanhar de perto o tema nos próximos quatro anos, o UNICEF lançou a campanha #VotePelaEducação, desenvolvida em parceria com a Artplan. O objetivo é mobilizar os eleitores e eleitoras para que cobrem de candidatos e candidatas à Presidência, aos Governos estaduais, ao Senado e às Câmaras de Deputados e às Assembleias Legislativas, medidas concretas para melhorar a educação.

Na última sexta-feira (9), foram instalados “Monumentos à Educação” em pontos estratégicos de três capitais – Belém, Salvador e São Paulo. Organizados em formato de sala de aula, os monumentos traziam uma professora e uma turma de estudantes, aprendendo. No início da semana, no entanto, os “estudantes” sumiram, deixando as salas vazias. E reapareceram em outros pontos próximos, em situação de vulnerabilidade, “contando” porque haviam deixado a escola.

A ação tem como objetivo representar os dois milhões de meninas e meninos de 11 a 19 anos que não terminaram a Educação Básica e estão fora da escola no país, enfatizando as causas da exclusão e chamando a atenção da população para a urgência de votar pela Educação e priorizar a área na agenda pública dos próximos quatro anos.

“O Brasil está entre os países de maior economia do mundo e deixar uma criança fora da escola já seria um absurdo. Deixar dois milhões é uma tragédia de impacto incalculável”, destaca Mônica.

O UNICEF não apoia nenhum candidato ou candidata, e nenhum partido político.

Sobre a pesquisa – Os dados fazem parte da pesquisa “Educação brasileira em 2022 – a voz de adolescentes”, realizada pelo Ipec para o UNICEF. A pesquisa ouviu estudantes que estão na rede pública de ensino, e também aqueles que não completaram o ensino médio e não estão mais frequentando a escola. Foram realizadas 1,1 mil entrevistas com meninas e meninos de 11 a 19 anos, organizadas de modo a ser representativas da população-alvo do estudo. As entrevistas pessoais domiciliares foram realizadas de 9 a 18 de agosto de 2022. A margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.

Com informações da Agência ONU

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