Eleições de 3 de outubro: as enormes dificuldades de uma terceira via

Sérgio Botêlho – A teimosia das intenções dos eleitores, com forte influência nas unidades partidárias, dificulta os esforços dos postulantes da terceira via

A disputa presidencial brasileira, no momento, está dividida entre dois candidatos: o atual presidente Jair Messias Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), que compete pela reeleição, e o ex–presidente Luís Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), que intenta voltar ao poder da República. 

São esses, segundo as pesquisas de opinião pública até agora realizadas, os dois polos da contenda eleitoral majoritária, já bem ruidosa no país. Há outros nomes lançados e em estudos que, diante do quadro em apreço, se encontram no campo da chamada terceira via.

Por enquanto, não se vislumbra no horizonte à vista grandes chances de mudança no cenário, tudo levando a crer que Lula e Bolsonaro serão os dois a disputarem o segundo turno da corrida ao Palácio do Planalto, conforme os números das pesquisas.

Contudo, nomes como Ciro Gomes, do Partido Democrático Trabalhista (PDT), Simone Tebet, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), além de João Dória e Eduardo Leite, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), se aplicam na tarefa da viabilização de seus nomes. 

Havia ainda o nome do ex-juiz Sérgio Moro, que, no entanto, sucumbiu após sua filiação ao União Brasil, cujos líderes principais, perante os interesses estaduais, não querem nem ouvir falar em candidatura própria do partido à Presidência da República.

Certamente, há outros nomes já lançados por partidos pequenos a exemplo de Vera Lúcia, do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), Luiz Felipe D’Ávila, do Partido Novo, Leonardo Péricles, pela Unidade Popular pelo Socialismo (UP), André Janones, pelo Avante, e José Maria Eymael, pela Democracia Cristã. Porém, sem chances, a não ser por algum cataclisma eleitoral imprevisível.

Além dos números das pesquisas, há outro fator que aponta Lula e Bolsonaro como os dois polos praticamente consolidados da corrida presidencial. É que ambos disputam a rinha apoiados de forma esmagadora pelos seus partidos, um e outro (partidos) que, apesar de grandes, praticamente estão sem dissensão acentuada, no preciso instante.

Por outro lado, aqueles mais destacados postulantes, de Ciro a Simone, passando por João Doria e Eduardo Leite, encaram altercações importantes, conforme acontece com o União Brasil, de Moro, em suas próprias agremiações, causadas evidentemente pelas forças das candidaturas de Lula e Bolsonaro.

No Nordeste, a título de exemplo, contam-se nos dedos as lideranças do MDB que estão propensas a marcharem com Simone Tebet, diante da força regional da candidatura de Lula. 

Sofrendo o mesmo efeito, o PDT de Ciro, embora tenha herdado o governo cearense, o que facilitou a manutenção da bancada federal pedetista no estado, perdeu, na mais recente janela partidária, 5 deputados federais no Nordeste, mantendo apenas, tirante o Ceará, o presidente do partido, na Bahia.

Já no Sul e no Centro Oeste, o efeito da candidatura Bolsonaro influi decisivamente no ânimo de emedebistas e tucanos locais em contraponto às possíveis candidaturas nacionais de seus partidos.

Certamente, a solução estaria numa mudança significativa na disposição dos eleitores brasileiros com relação às candidaturas nacionais, o que não se vislumbra num futuro próximo, e quiçá, mesmo no período de tempo mais perto do dia 3 de outubro.

Para o bem ou para o mal é, desse jeito, que caminha o pleito 2022, no Brasil.

 

 

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