SOBRE O UBER E A MIOPIA DOS POLÍTICOS

Assunto pulsante desde sua chegada ao Brasil, a regulamentação de uso do aplicativo UBER passou ontem pela Câmara Legislativa do Distrito Federal, que se omitiu em um de seus

Assunto pulsante desde sua chegada ao Brasil, a regulamentação de uso do aplicativo UBER passou ontem pela Câmara Legislativa do Distrito Federal, que se omitiu em um de seus pontos mais polêmicos: a limitação da quantidade de veículos disponíveis para o serviço. Caberá ao executivo local a limitação, ou não, do número de carros em operação.

Grande parte dos Deputados Distritais capitulou ante a pressão dos taxistas. Eram 12 os parlamentares favoráveis a limitação: Luzia de Paula (PSB), Roosevelt Vilela (PSB), Rodrigo Delmasso (PTN), Wellington Luiz (PMDB), Chico Vigilante (PT), Júlio César (PRB), Bispo Renato Andrade (PR), Wasny de Roure (PT), Rafael Prudente (PMDB), Agaciel Maia (PR), Ricardo Vale (PT) e Juarezão (PSB).

A discussão em torno do assunto deveria ser aprofundada. Taxistas e motoristas do aplicativo tem vantagens que precisam ser equiparadas. Nenhuma tão evidente quanto a isenção de alguns impostos que o taxista tem ao adquirir seu veículo.

Restringir ou limitar o serviço do UBER (alguns Deputados propuseram, inclusive, a proibição da modalidade X, a mais barata) é remar contra a maré do progresso tecnológico. Não apenas isso, é votar contra o interesse público, contra a vontade do cidadão.

Importante apontar alguns pontos que demonstram o equívoco desta omissão do legislativo local:

– O maior benefício do capitalismo é a livre concorrência. É ela que garante a prestação de bons serviços e redução do preço ao consumidor final.

– Limitar o número de veículos significa menor concorrência.

– Extinguir a modalidade UBER X (serviço de menor custo), como queriam alguns Deputados, significaria, na prática, a extinção do serviço mais atrativo ao cidadão.

Não se trata apenas de carros novos e com ar-condicionado. Nem de motoristas com vestimentas adequadas e boas maneiras. Tampouco de balinhas e água gelada. No fim das contas, a grande atração para o consumidor é pagar menos pelo mesmo serviço. E, além das vantagens já mencionadas, o UBER oferece um menor preço ao consumidor.

Políticos em geral se excitam ou se apavoram ao lidar com categorias organizadas. Excitam-se e apavoram-se pelas duas faces de uma mesma moeda: conseguir a simpatia ou causar antipatia a esses grupos. Votos. No fim das contas, é nisso que eles pensam.

Evidentemente, nenhum deputado, em sã consciência, se posicionará deliberadamente contra o anseio da maioria esmagadora do povo. Adotarão esta posição apenas aqueles que representam algum setor específico, os que tem imensa crença ideológica ou partidária (e isso explica a totalidade de votos do PT, PC do B e PSOL contra o impeachment de Dilma) ou os instigados por miopia em agradar uma categoria significativa como a dos taxistas.

Políticos míopes, além de tomarem posições equivocadas, são ruins de conta. São 3.400 taxistas no DF. Imaginemos que sejam quatro membros maiores de idade em cada uma destas famílias. São 13.600 pessoas atingidas por ações simpáticas à classe. Vamos além. Consideremos que o grau de organização seja tamanho que os taxistas dividam salomonicamente os votos que podem angariar para cada Distrital antipático ao UBER. Seriam 1.133 votos para cada parlamentar. A conta não fecha.

O tratamento dado ao tema UBER na Câmara legislativa do Distrito Federal demonstra o quão atrasados são os políticos de Brasília. Poderiam ser a vanguarda do país, regulamentando plenamente o serviço, atendendo ao interesse público. Decidiram deixar nas mãos do executivo a tarefa, varrendo o problema para debaixo do tapete, preterindo a vontade popular.

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