Senado elege Davi Alcolumbre para a Presidência depois de Renan desistir

SINOPSE NACIONAL DE 03 DE FEVEREIRO DE 2019

Edição: Sérgio Botêlho

JORNAIS:

Manchete e destaques do jornal O Globo: Renan desiste e Davi, apoiado pelo governo, é eleito no Senado. Após articulação do Planalto, emedebista abre mão da candidatura. Pressão por renovação também pesou. O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) desistiu ontem da candidatura à presidência da casa, abrindo caminho para a vitória de Davi Alcolumbre (DEM-AP), nome apoiado pelo governo federal. A saída de Renan marca o fim de um período de 16 anos em que seu grupo no MDB presidiu o Senado e foi resultado também de pressão dos demais senadores, inclusive de oposição, por uma renovação na casa. Após liminar do STF determinar que a votação deveria ser secreta, muitos senadores decidiram, em protesto, mostrar suas cédulas. Ao perceber que não seria eleito, Renan desistiu e indicou que pretende dificultar votações de interesse do governo. Aos 41 anos, Davi está no seu primeiro mandato no Senado.

Bernardo Mello Franco: Erro grosseiro de cálculo de Renan. Davi pode virar novo Severino. Apesar dos elogios que recebeu ontem, Davi inspira desconfiança até entre seus eleitores. Alguns temem que ele se revele um novo Severino Cavalcanti.

Ascânio Seleme: Na Câmara, Rodrigo Maia vê seu poder crescer. De uma coisa se pode estar certo em relação ao presidente da Câmara, ele sabe o que quer e por onde deve ir para obter os resultados que precisa.

Lauro Jardim: Nova secretária da Agricultura ataca causas indígenas. Nova secretária-adjunta de Assuntos Fundiários do Ministério da Agricultura, a advogada Luana Figueiredo se apresenta como amiga da ministra, Tereza Cristina. E isso é o de menos. Em artigos publicados nos últimos anos, Luana sustenta que os índios não foram os primeiros habitantes do Brasil, desce a borduna nas políticas de demarcação de terras e diz que os índios do Mato Grosso do Sul estão obesos, com pressão alta e diabetes, doenças estranhas aos indígenas.

Elio Gaspari: É preciso uma Lava-Jato para as mineradoras. Como as mineradoras conseguiram blindar Mariana, adormecer o Congresso e aparelhar a máquina fiscalizadora? Uma nova Lava-Jato poderá trazer as respostas. Bastaria um juiz Moro e uma equipe de procuradores como a que surgiu em Curitiba. O resto vem por gravidade.

Dorrit Harazim: Brumadinho traz sentimento acima do fosso ideológico. Não é por acaso que o tenente Pedro Aihara, porta-voz do Corpo de Bombeiros encarregado de divulgar as boas e más notícias à nação, emergiu como um bálsamo pela postura e linguagem precisas, com ausência igual de afetação e empulhação. A classe política brasiliense deveria fazer um intensivão moral-cívico com ele. Brumadinho tanto pode retratar o passado, o presente ou o futuro do Brasil. A escolha é nossa de fazer história.

Paulo Celso Pereira: Planalto não deve esperar vida fácil com Alcolumbre no Senado. Atuação ostensiva de Onyx durante a disputa deve deixar, por muito tempo, feridas abertas no grupo derrotado.

A cada 2 minutos, uma medida para proteger a mulher. Levantamento do GLOBO em 19 dos 27 tribunais de Justiça do país mostra que, no ano passado, foi concedida uma medida protetiva a cada dois minutos, por causa de violência doméstica e familiar contra a mulher. A iniciativa, porém, não é suficiente para impedir o agressor de se aproximar das vítimas.

Eleito na Alerj, Ceciliano defende posse de presos.

O risco oculto nas barragens do Rio. O Rio tem ao menos sete barragens com alto potencial de dano, que em caso de colapso podem provocar mortes e graves impactos, como a que fica em Quatis. Vizinhos desconhecem perigo e planos de fuga.

Florestas e animais sob ameaça. O desastre da Vale foi também uma tragédia ambiental: levou florestas, secou cursos d’água e ameaça uma área mais complexa para equilíbrio ambiental do que em Mariana.

Protestos tomam as ruas de Caracas. Autodeclarado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó recebeu ontem o apoio de um general e liderou ato contra Nicolás Maduro.

Editorial1: Por que Davos se preocupa com a desigualdade. Fórum demonstra ter consciência de que ela conspira contra a estabilidade econômica e política.

Editorial2: O que está em crise junto com o regime bolivariano chavista. Intervencionismo estatal dirigista levou ao desmonte do sistema produtivo venezuelano.

 

Manchete e destaques do jornal Estado de São Paulo: Aliado de Onyx vence no Senado, mas futuro de reformas é incerto. Davi Alcolumbre derrotou Renan Calheiros, o nome preferido de Paulo Guedes. Com apoio do ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e numa sessão longa e tumultuada, Davi Alcolumbre (DEM-AP) derrotou Renan Calheiros (MDB-AL) e será presidente do Senado até janeiro de 2021.  Renan, o nome preferido pelo ministro Paulo Guedes (Economia), desistiu da candidatura em pleno processo de votação. Apesar de ser considerado uma vitória do governo, aliados de Bolsonaro dizem que o resultado poderá ter impacto sobre votações importantes. A principal é a da reforma da Previdência, que a equipe econômica quer encaminhar ao Congresso até o fim do mês. Alcolumbre, senador de 41 anos e em primeiro mandato, disse que o tema será sua prioridade. Para Guedes, Renan e Rodrigo Maia (DEM-RJ), eleito presidente da Câmara, teriam mais condições de conduzir votações estratégicas para a área econômica. Na agenda do governo também há projetos tributários e privatizações.

Alcolumbre votou contra a cassação de Aécio Neves e aumento de salário do STF.

Onyx comemora vitória de Davi com passagem bíblica.

No reduto de Bolsonaro, deputado petista é eleito presidente da Alerj.

Eliane Cantanhêde: Com a derrota, Renan é agora candidato a líder da oposição, com parte da esquerda, centro e direita.

Vera Magalhães: A queda de Renan, com influência da opinião pública, encerra um ciclo de 20 anos de crises no Senado.

Desalento cresce entre mais escolarizados. No terceiro trimestre do ano passado, 1,66 milhão de trabalhadores com dez anos ou mais de estudos – o que equivale a pelo menos o início do ensino médio – deixaram de procurar emprego, o chamado desalento. Segundo analistas, um dos motivos é que os postos de trabalho criados durante a crise são de baixa remuneração ou informais. “Cansei de esperar o mercado melhorar”, resume a engenheira Adriana Mello, de 28 anos.

‘Ministro’ sem pasta e com poder. Perfil • Eduardo Bolsonaro – deputado federal (PSL-SP). Terceiro dos 5 filhos de Jair Bolsonaro e reeleito deputado com quase 2 milhões de votos, Eduardo Bolsonaro, aos 34 anos, influi nas diretrizes do governo, faz contatos internacionais e foi o único parlamentar a acompanhar o presidente em Davos, informa José Fucs. Embora seja defensor da moralização da administração pública, ele nem sempre abre mão de privilégios. No primeiro mandato (2015 a 2018), Eduardo morou com o pai, mas recebeu auxílio-moradia no valor de R$ 4,3 mil por mês.

Em cinco anos, Venezuela perde metade do PIB. Por causa da crise no país, a economia venezuelana encolheu 44% desde 2014, segundo a ONU. O general da Força Aérea Francisco Yánez reconheceu ontem a autoridade do presidente autoproclamado Juan Guaidó.

Fernando Henrique Cardoso: É preciso reconstruir a confiança entre sociedade e poder. Não parece que o presidente atual tenha essas qualidades.

Renata Cafardo: Não há consenso sobre a eficácia do homeschooling. As contradições estão vivas até dentro do próprio governo.

Editorial1: O Supremo e a política. Mais do que nunca será preciso que o Supremo atue como órgão colegiado que deve ser por definição constitucional, e não por decisões individuais

Editorial2: Reformar para crescer mais. A reforma da Previdência será essencial, mas outros passos serão indispensáveis para tornar o País mais dinâmico

Editorial3: A responsabilidade dos eleitos. A população espera um Legislativo a serviço do Brasil.

 

Manchete e destaques do jornal Folha de São Paulo: Em eleição caótica, Renan desiste e governista vence. Davi Alcolumbre (DEM-AP) é escolhido presidente do Senado após sessão com suspeita de fraude. Após dois dias de conturbadas discussões, intervenção judicial, suspeita de fraude e desistência do principal concorrente, o Senado elegeu Davi Alcolumbre (DEM-AP) como seu novo presidente. Ele teve 42 de 77 votos. O resultado é uma vitória expressiva para o chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), que bancou o nome do virtualmente desconhecido Alcolumbre contra o favorito até então, Renan Calheiros (MDB-AL). O senador protagonizou o momento mais dramático dos dois confusos dias de discussão quando desistiu da candidatura, alegando que colegas tinham aberto o voto que deveria ser secreto, como mandou o Supremo. Alcolumbre na realidade ganhara apoios com a desistência de outros rivais já na primeira votação do dia, que acabou anulada sob suspeita de fraude: a urna tinha um voto amais do que eleitores registrados. Sigla média, o DEM agora comanda as duas Casas do Congresso, com Rodrigo Maia (DEM-RJ) na Câmara. Em tese, isso facilita a tramitação da reforma da Previdência, mas Renan pode ser um obstáculo.

Bancada da lama barra ações para melhorar segurança em barragens. Deputados receberam doações de empresas, mas negam defender o setor; expoente agora é assessor de Bolsonaro.

Ala militar se indispõe com Araújo e tutela Itamaraty. O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, criou indisposição após não consultar as Forças Armadas ao assinar documento que prevê fim de cooperação militar com a Venezuela. Oficiais chegaram a sugerir que o chanceler fosse demitido. Outros, que ele ouvisse mais os ministros militares. O caso levou a uma espécie de intervenção branca no Itamaraty.

Líder opositor na Venezuela recebe apoio de um general. O general venezuelano da ativa Francisco Yánez reconheceu o líder opositor Juan Guaidó como presidente interino. Yánez disse que as Forças Armadas são contra o regime chavista. Yánez é o primeiro oficial com essa graduação a romper com a ditadura de Nicolás Maduro. A Força Aérea, à qual ele pertence, acusou o general de ser um traidor.

Senadores de longa trajetória que trabalharam pela vitória de Davi Alcolumbre (DEM-AP) na tumultuada disputa pela presidência do Senado vão organizar um grupo para auxiliar o parlamentar de 41 anos na condução da Casa. O gesto é não só um reconhecimento da inexperiência do eleito, mas também do potencial bélico dos adversários que foram abatidos no caminho —Renan Calheiros (MDB-AL) à frente. Tasso Jereissatti (PSDB-CE) convocou reunião na terça (5) para tratar do assunto.

Bolsonaro sente náusea; médicos colocam sonda. No quinto dia após cirurgia, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) teve náusea e vômito neste sábado (2). Segundo boletim médico, ele precisou de uma sonda nasogástrica.

Governo quer destravar obras de infraestrutura. O ministro de Infraestrutura, Tarcísio Freitas, quer ajuda do TCU para liberar processos de obras e concessões de R$ 100 bilhões que se arrastam desde o governo Lula.

Apesar de votação secreta, 30 senadores mostram cédulas para câmeras. Esperidião Amin (PP-SC), Rodrigo Cunha (PSDB-AL), Oriovisto Guimarães (PODE-PR), Plínio Valério (PSDB-AM), Alvaro Dias (PODE-PR), Sérgio Petecão (PSD-AC), Mailiza Gomes (PP-AC), Nelsinho Trad (PSD-MS)…

Elio Gaspari: Empresas do setor precisam de uma Lava Jato. As mineradoras blindaram-se, e a barragem delas teve solidez. Brumadinho deveria ser um apelo para nova Lava Jato. As astúcias minerais e os malfeitos expostos pela Lava Jato diferem na dinâmica, mas convergem no desfecho.

Fernando Henrique Cardoso: E agora? É preciso reconstruir a confiança entre sociedade e poder. Não parece que o presidente atual tenha essas qualidades.

Editorial1: A volta da toga. Com o fim do recesso, STF terá de enfrentar pauta dominada por temas controversos.

Editorial2: Escolher batalhas. Previdência, um programa equilibrado de privatizações e mudanças tributárias são as principais lutas do governo Bolsonaro.

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