ROSSO E O CENÁRIO POLÍTICO

O Deputado Rodrigo Maia foi eleito Presidente da Câmara dos Deputados ontem, derrotando Rogério Rosso em eleição de dois turnos. Até a véspera do pleito, o pessedista era considerado

O Deputado Rodrigo Maia foi eleito Presidente da Câmara dos Deputados ontem, derrotando Rogério Rosso em eleição de dois turnos. Até a véspera do pleito, o pessedista era considerado o favorito da disputa.

Na política do DF, houve quem comemorasse. Havia temor generalizado que, a partir da Presidência da Câmara, Rosso pudesse alçar voos mais altos com pouso, em 2018, no Palácio do Buriti. Adversários vibraram.

Alguns fatos atrapalharam o caminho do político brasiliense. A candidatura de Marcelo Castro, do PMDB, ameaçou alijá-lo do segundo turno da eleição. A defecção do PR, um dos maiores partidos do Centrão de Rosso, que se aliou a Maia. A suspeita, noticiada em veículos nacionais, da existência de um vídeo de Rosso em situação parecida com a que derrubou José Roberto Arruda.

Mas nada foi tão bem explorado e tão prejudicial à sua candidatura quanto ao rótulo de seguidor de Eduardo Cunha. A equipe de maldades de seus adversários imprimiu panfletos fartamente distribuídos em plenário com a foto de Rosso e Cunha, onde lia-se “esta casa não é dos Cunha”. O dano foi tão evidente que, quando proclamou-se o resultado, o que se ouviu foi “fora Cunha”. Não se gritou o nome de Rodrigo Maia.

Em sua primeira entrevista depois de eleito, Maia pareceu benevolente com o ex-presidente. Ainda precisaremos de tempo para identificar a totalidade dos simpatizantes do já moribundo, mas ainda vivo, Eduardo Cunha.

No discurso que antecedeu a votação do segundo turno, Rogério Rosso produziu o melhor fato político da disputa: chamou Maia ao palanque e, abraçando-o, propôs para o minuto seguinte à divulgação do resultado um pacto de união em prol do Brasil. Assim o fará.

Não se espere retaliações a Maia e nem ao comando do Planalto. O temperamento de Rosso é conciliador e agregador. Por isso é líder do PSD, do Centrão e já um cardeal do legislativo nacional. A frente da Comissão do Impeachment, conquistou o respeito de seus pares com atuação firme e apaziguadora. Conduziu, com maestria, os trabalhos que culminaram com o impedimento da Presidente Dilma.

Os 170 votos obtidos na eleição já o fazem despontar como candidato natural ao biênio 17/18, mais relevante que este mandato tampão. Para se viabilizar, precisará provar aos pares (e à sociedade) que não é aliado de Cunha. Não creio que isso será problema. No período do impeachment foi apontado como possível apoiador de Dilma. Na hora do voto, atendeu aos anseios dos brasilienses. Não será diferente quando o processo de Cunha chegar ao plenário.

Que não haja engano: Rosso continua sendo o parlamentar do DF mais relevante no cenário nacional, credenciado para novas disputas e absolutamente cacifado para um cargo majoritário em 2018.

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