República em chamas

Sergio Botelho
Sergio Botelho

Difícil é saber por onde começar a escrever nesta quarta-feira, 06. O dia de ontem foi repleto de novidades no campo judiciário e político, com desdobramentos, ainda, para o dia de hoje, e para o resto do mês.

O barulho, na verdade, começou na noite de anteontem, quando o procurador geral da República, Rodrigo Janot, reuniu a imprensa para anunciar a existência de um certo áudio de quatro horas de duração, com diálogos entre executivos da JBS.

Segundo o procurador disse, na oportunidade, os áudios atingiam políticos, ministros do STF e membros do próprio Ministério Público. Tocou horror no Supremo e no Congresso Nacional, todos na expectativa de que os áudios fossem liberados.

Ainda sem uma decisão do Supremo sobre a liberação, a Polícia Federal, ontem, ainda, distribuiu nota informando que malas de dinheiro haviam sido apreendidas em apartamento na cidade de Salvador supostamente pertencentes ao ex-ministro e ex-deputado federal Geddel Vieira Lima, do PMDB. As fotos distribuídas pela PF com as malas entupidas de dinheiro chocaram a opinião pública.

A tarde passa, e, no início da noite, vem a notícia de que o ministro Edson Fachin havia retirado o sigilo do novo áudio dos empresários da JBS. Assim, vieram à tona diálogos do mais baixo nível já visto na República, nos últimos tempos. Citações inomináveis a ministros e ministras do STF, a ex-ministros do governo, à ex-presidente Dilma Rousseff.

Em resumo, são diálogos estarrecedores dos dois empresários, atingindo até a própria família Batista. De imediato, a presidente do Supremo, ministra Cármen Lúcia, citada no diálogo dos empresários, ordenou rigorosa apuração dos fatos.

Da China, o presidente Michel Temer acompanhava o desenrolar dos acontecimentos, apostando numa desmoralização das delações premiadas da JBS, que possam favorecer sua causa de principal acusado dessas peças delatórias. A aposta continua.

Enfim, no início da noite, dando continuidade às flechadas que prometeu, o chefe do Ministério Público Federal denunciou Lula, Dilma e ex-ministros dos governos petistas como sendo partes de um “quadrilhão”, segundo as palavras que utilizou.

Para hoje, é possível que Janot apresente uma segunda denúncia contra Temer, segundo as expectativas. Ontem, também, o ministro Fachin homologou a delação do doleiro Lúcio Funaro, peça aguardada por Janot para a nova denúncia contra o presidente.

Quer dizer: está sobrando para todo o mundo, uma vez que Aécio (que já teve sua irmã, presa) e o PSDB também já receberam suas acusações em processos que corre no STF. É a República em chamas.

Sérgio Botêlho – Anexo 6

 

 

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