Relator de caso Cunha na CCJ nega influência política

Fonseca garantiu que todos os comentários que fez sobre o caso Cunha são públicos e contestavam apenas aspectos técnicos. Crédito: Zeca Ribeiro /

Em entrevista coletiva, nesta terça-feira (28), o deputado Ronaldo Fonseca (PROS-DF) afirmou que não sofrerá influência política e vai se basear em aspectos regimentais e constitucionais para analisar o recurso em que o deputado afastado Eduardo Cunha cita 16 motivos de nulidade na decisão do Conselho de Ética que recomendou a cassação de seu mandato. Fonseca foi designado relator do recurso na Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania (CCJ).

Prazo

Fonseca reclamou que terá pouco tempo para analisar as 65 páginas do recurso e os 17 volumes do processo, mas disse que vai se esforçar para entregar o relatório na próxima semana, já que a pauta da CCJ está trancada até a votação do recurso.

Críticas

Na entrevista, o relator negou ser aliado de Eduardo Cunha, conforme sustentaram alguns deputados do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar nesta terça. Eles se baseiam em declarações feitas por Fonseca durante a análise do processo contra Cunha no colegiado.

O presidente do conselho, deputado José Carlos Araújo (PR-BA), chegou a defender a suspeição de Fonseca.

“O deputado escolhido para ser o relator na CCJ esteve no Conselho de Ética e fez considerações sobre o representado. As informações são de que foi uma defesa veemente do deputado Eduardo Cunha. Se configurar isso, acho que o próprio deputado vai se lembrar e deve se julgar suspeito”, afirmou Araújo.

Ronaldo Fonseca ainda foi contestado, pelos jornalistas, por suposto lobby contra o primeiro parecer favorável à admissibilidade do processo de cassação de Eduardo Cunha, assinado pelo então relator, deputado Fausto Pinato (PP-SP).

Em sua defesa, Fonseca garantiu que todos os comentários que já fez sobre o caso Cunha são públicos e contestavam apenas aspectos técnicos, sem se ater ao mérito do julgamento.

“Eu estou muito tranquilo quanto a isso, porque não existe nenhuma fala minha na Câmara que aborda o mérito da questão decidida no Conselho de Ética. Se vocês analisarem a minha fala, está muito claro que estou cobrando celeridade do colegiado. Estão dizendo que eu sou aliado do Eduardo Cunha. Eu me acho mais aliado do Marcos Rogério do que do Eduardo Cunha”, afirmou.

Notas taquigráficas

Assim como prometido pela cúpula do Conselho de Ética, Ronaldo Fonseca disse que também enviou à presidência da CCJ as cópias das notas taquigráficas, com o conteúdo completo de suas falas em relação ao julgamento de Eduardo Cunha no colegiado.

O relator disse que deve se reunir com o presidente da CCJ, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), nesta quarta-feira (29) para discutir, sobretudo, o prazo de entrega do relatório.

FONTE: Agência Câmara

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