Rayneia e Marielle: crimes contra a humanidade

Sérgio Botêlho

A situação da Nicarágua vai ficando insustentável. O fato mais recente atinge diretamente o nosso país. Uma estudante brasileira foi assassinada, muito possivelmente, por grupos paramilitares a serviço do regime da Nicarágua.

Não há mais nada que identifique o governo nicaraguense com uma democracia, baseada no poder civil, e disposta a apurar e descobrir ações como essas, praticadas por grupos armados de criminosos, sob a proteção governamental.

A primeira medida que caberia ao governo da Nicarágua era a de promover imediata apuração do caso, com a revelação dos nomes dos culpados. Se não o faz, é porque os prováveis assassinos possuem, mesmo, algum vínculo com o poder. Essa é uma desconfiança que se impõe.

É lamentável que vejamos, no Brasil, silêncio sepulcral com relação aos acontecimentos na Nicarágua, por uma parte da esquerda que se diz comprometida com as liberdades democráticas e com o direito à livre manifestação das ideias.

Dessa maneira, em tudo se igualam a outras correntes igualmente descomprometidas com as liberdades democráticas e à livre manifestação das ideias quando do vil assassinato da vereadora Marielle Franco, no Rio de Janeiro.

Também, pelo que se tem, até agora, das investigações em curso no Rio de Janeiro, a Mestre em Administração Pública, Marielle – da mesma maneira que a acadêmica de Medicina, Rayneia Gabrielle Lima – foi morta, da mesma maneira, por grupos paramilitares.

Louve-se, em ambos os casos, o posicionamento intransigente da Organização dos Estados Americanos condenando e exigindo ampla e transparente investigação dos crimes, com a devida prisão dos culpados, na Nicarágua e no Brasil.

Em jogo, como sempre, em casos semelhantes, o futuro das Américas enquanto território da liberdade e dos respeitos à diversidade de pensamento, ainda mais gravemente ameaçado, esse futuro, pelo criminoso desrespeito à vida.

É de se esperar que os dois crimes acabem totalmente desvendados, com a prisão dos culpados. Tanto Marielle quanto Rayneia merecem o respeito de todos os latino-americanos, e dos povos do mundo inteiro, ambas, desde já, inscritas no rol das mártires de sistemas perversos que, um dia, serão varridos à vala comum do lixo da história.

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