Presidência da Câmara e do Senado: quem ganhou e quem perdeu?

Nos dias 1 e 2 de fevereiro foram eleitos Eunício Oliveira (PMDB-CE) como Presidente do Senado e Rodrigo Maia (DEM-RJ)Presidente da Câmara, respectivamente. Neste sentido, é importante analisar quem

Nos dias 1 e 2 de fevereiro foram eleitos Eunício Oliveira (PMDB-CE) como Presidente do Senado e Rodrigo Maia (DEM-RJ)Presidente da Câmara, respectivamente. Neste sentido, é importante analisar quem são os vencedores e os perdedores deste processo, tendo em vista que ele terá influência direta no que ocorrerá nos próximos dois anos no Congresso Nacional.

No Senado Federal, houveram dois concorrentes à Presidência da casa: Eunício Oliveira e José Medeiros (PSD-MT), ambos da base do governo. A disputa ocorreu sem grandes surpresas. O senador cearense recebeu 61 votos, enquanto o mato-grossense recebeu 10 votos, igualado pelo número de votos em branco.

Na referida disputa, é possível perceber que os principais vencedores foram o Governo Federal, o PMDB e o Senador Eunício Oliveira. Com esse resultado, fica claro que as pautas de interesse do Poder Executivo serão colocadas em votação e contam com grande chance de aprovação, já que um aliado de primeira hora do Palácio do Planalto, como é o caso de Eunício, não deve colocar seus aliados em situações complicadas. Por outro lado, fica claro que a oposição sofreu uma forte derrota, apesar de previsível. Assim, caberá a oposição utilizar os recursos constitucionais e regimentais para tentar impedir os planos de governo, já que é pouco provável que ela consiga aprovar projetos de seu interesse.

O cenário da Câmara foi um pouco mais complexo do que no Senado. Foram registradas seis candidaturas: Rodrigo Maia (DEM-RJ), vencedor da disputa com 293 votos, Jovair Arantes (PTB-GO), segundo colocado com 105 votos, André Figueiredo (PDT-CE), terceiro lugar com 59 votos, Julio Delgado (PSB-MG), com 28 votos, Luiza Erundina (PSOL-SP), 10 votos, e Jair Bolsonaro (PSC-RJ), com 4 votos, além de 5 votos em branco em um total de 504 votantes. É relevante registrar que Rogério Rosso (PSD-DF) desistiu de sua candidatura.

Assim como no Senado, o Governo Federal pode ser visto como um dos principais vencedores, em conjunto com o deputado Rodrigo Maia, que viu seu apoio crescer bastante desde a eleição para substituir Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Dessa forma, Michel Temer (PMDB-SP) também garante um aliado importante para buscar aprovar seus projetos na Câmara dos Deputados. Junto com isso, outros partidos como o PSDB também saem vencedores, ao conseguir cargos importantes na mesa e, ao formar o bloco parlamentar que apoiou Maia, garantir o comando de comissões importantes. Jovair Arantes, apesar de não ter garantido o segundo turno, demonstrou ter um grupo de apoio importante dentro da casa.

Por outro lado, os principais perdedores são Rogério Rosso, André Figueiredo e o bloco de oposição feito para a disputa da casa. Rogério Rosso, que ficou em segundo lugar na eleição para substituir Eduardo Cunha, anunciou sua candidatura e foi preterido pelo seu próprio partido, que decidiu apoiar Rodrigo Maia, com Rosso ainda candidato. Sem o apoio do próprio partido, só restou ao parlamentar retirar sua candidatura de forma melancólica, o que demonstrou que não tem a liderança do chamado “centrão” e que está isolado também em sua agremiação partidária. Além disso, o PSD reclama que tem pouco espaço no governo e quer assumir a liderança na casa.

André Figueiredo e os partidos que compuseram o bloco, PT, PDT e PC do B, também saem enfraquecidos do processo. O bloco contava com cerca de 90 deputados, mas só obteve 59. O Partido Comunista decidiu apoiar Rodrigo Maia, por questões relacionadas à Reforma Política. Além disso, também houve dissidência dentro do PT e do PDT, além de não conseguirem atrair o PSOL e a Rede para o bloco, tal votação demonstra que a oposição deverá ter problemas para conseguir atuar de forma unificada contra os projetos do Planalto.

Julio Delgado e Erundina não tinham grandes aspirações na disputa. Jair Bolsonaro, por sua vez, pode ter usado a disputa e sua baixa votação, que reflete seu isolamento entre os deputados, como uma estratégia política para mostrar que ele e sua família seriam diferenciados em relação aos outros políticos. No entanto, tal estratégia pode ir por água abaixo, se Jair Bolsonaro não souber explicar a mensagem “não vou te visitar na cadeia” enviada para seu filho, o também Deputado Federal , Eduardo Bolsonaro (PSC-SP).

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