Precisamos falar sobre Henrique Meirelles

Michel Temer (PMDB-SP) tem passado por diversos problemas como Presidente da República, tais como baixa popularidade, aumento de impostos e a necessidade de enfrentar as denúncias formuladas pelo ainda Procurador Geral da República, Rodrigo Janot. Dentro desses problemas, existe a possibilidade de Rodrigo Maia (DEM-RJ) assumir a Presidência caso Temer seja afastado para a investigação. A partir disso, várias possíveis mudanças foram elencadas, mas uma permanência foi garantida: a da equipe econômica, ou seja, de Henrique Meirelles (PSD) como Ministro da Fazenda e com suporte para realizar a pauta econômica, que inclui, entre outros pontos, a Reforma da Previdência.

Para entender porque precisamos falar sobre Henrique Meirelles, é importante relembrar alguns pontos. A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) foi muito criticada pela compra da Refinaria de Pasadena pela Petrobras. Na época da compra, ela era a Presidente do Conselho de Administração da empresa. Meirelles, por sua vez, foi Presidente do Conselho de Administração da J&F, holding que controla a JBS, de 2012 a 2016, ano em que assumiu o Ministério da Fazenda no Governo Temer. Reportagem do G1relata que a JBS teria pago R$20 milhões a Eduardo Cunha (PMDB-RJ) pela desoneração da folha de pagamento para os produtores de aves. Matéria da Época informa que  de 2006 a 2017 a propina paga pela empresa teria atingido a marca de R$1,1 bilhão. Se Dilma foi questionada, e com razão, pela Refinaria de Pasadena quando era Presidente do Conselho de Administração da Petrobras, Henrique Meirelles não deveria também ser questionado sobre tantos atos que a JBS cometeu enquanto ele era o Presidente do Conselho de Administração do controlador da JBS?

Outro ponto interessante é que Michel Temer citou o ex-Procurador da República, Marcelo Miller, como alguém que ganhou milhões em e, segundo o Estadão, tentou insinuar que o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, teria se beneficiado financeiramente disso, já que Miller passou a atuar em um escritório de advocacia que negociou os acordos de leniência do grupo J&F. Pode ser discutido se o levantamento de tal suspeita é correto ou errado. No entanto, é interessante perceber que há dois pesos e duas medidas neste caso. Se há algum tipo de suspeita, como Temer o fez, de que Miller e Janot teriam se beneficiado pela J&F, também não deveria haver a suspeita de que a mesma J&F teria sido beneficiada por ter seu ex-Presidente do Conselho de Administração, Henrique Meirelles, como Ministro da Fazenda?

Em junho de 2011, Meirelles foi nomeado como Presidente do Conselho Olímpico, órgão máximo da Autoridade Pública Olímpica (APO), que tinha como objetivo “coordenar a participação da União, do Estado do Rio de Janeiro e do Município do Rio de Janeiro na preparação e realização dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016, especialmente para assegurar o cumprimento das obrigações assumidas por eles perante o COI para esses fins e, notadamente: I – a coordenação de ações governamentais para o planejamento e entrega das obras e serviços necessários à realização dos Jogos, incluindo a representação dos entes consorciados perante órgãos ou entidades da administração, direta ou indireta, e outros entes da Federação nos assuntos pertinentes ao seu objeto”. Meirelles ficou neste cargo até junho de 2015 sendo substituído por Luiza Trajano, e o acumulou com o de Presidente do Conselho de Administração da J&F.

Em relação às Olimpíadas, o Ministério Público Federal (MPF) analisa se o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB-RJ) recebeu propina em contratos daquele evento. O ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB-RJ), bem como o Deputado Federal Pedro Paulo (PMDB-RJ), foi colocado como suspeito de ter recebido mais de R$15 milhões em propina em relação a contratos dos Jogos Olímpicos. Ora, Henrique Meirelles era o presidente do órgão responsável pela entrega e também pelo monitoramento das obras das Olimpíadas. Não seria importante questioná-lo se ele soube de algo? Se ele recebeu algum tipo de denúncia em relação às obras e aos contratos?

Ou seja, existe muita coisa que poderia ser perguntada para o atual Ministro da Fazenda, mas não vemos nenhuma pergunta sendo feita. Precisamos falar sobre Henrique Meirelles. Só assim várias dúvidas poderão ser esclarecidas.

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