Semana segue sem definição clara da pauta prioritária

Sérgio Botêlho - Jornalista - Anexo 6
Sérgio Botêlho – Jornalista – Anexo 6

A semana teve início com o reconhecimento, pelo governo, das evidentes dificuldades para a aprovação da reforma da Previdência. Foram dificuldades, enfim, admitidas pelo próprio presidente Michel Temer.

As declarações do presidente soaram como que o Palácio do Planalto se rendesse aos fatos, e parecendo estar, irremediavelmente, jogando a reforma previdenciária para os idos de 2018 ou, ainda, de 2019.

Mas, eis que o presidente de Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, pegaram o pião na unha, como se diz, e estão dizendo que vão lutar pela aprovação da referida reforma.

O problema é um só: a proposta é impopular, impopularidade, esta, claramente detectada pelas pesquisas de opinião pública, e, por conta disso, é que os deputados, primeiros eleitores da matéria, antes dos senadores, não estão propensos a apoia-la, desde logo.

Nesta semana, eles (os deputados) estão dando prioridade a uma pauta que trata de assuntos do interesse maior da própria Câmara dos Deputados, e, assim, calcados em motivações particulares, com mais chance de aprovação.

Uma dessas matérias é a que aborda a Segurança Pública, de forte apelo popular, e, com conteúdo incrementado por grupos de pressão interna, da Câmara, especialmente da chamada “bancada da bala”.

Não se sabe o que poderá conseguir a união entre Meirelles e Maia no sentido de empolgar os deputados a votarem favoravelmente à reforma da Previdência. A primeira consequência é que Temer pareceu se encher de coragem, outra vez, voltando a defender a reforma. É preciso, no caso, aguardar os acontecimentos, embora a maioria dos parlamentares continue assegurando que não vota a matéria.

Necessário também atentar para o volume de matérias complicadas em tramitação no Congresso, a exemplo das que se referem ao ajuste fiscal e ao Orçamento da União, ambas, da mesma forma que a reforma da Previdência, de importância para o governo.

Não bastassem essas questões, há uma série de privatizações em curso, por decisão do Planalto, que começam a mexer com o ânimo de setores do parlamento e que são capazes de travar os debates nas duas Casas.

Já estamos exatamente no meio de uma semana que promete ser cheia de votações, possivelmente até esta sexta-feira, 10. Contudo, a próxima semana é quebrada com um feriado no meio, na quarta-feira, 15. Aí, faltarão apenas 5 semanas para o fim do ano.

A rigor, estamos nos encaminhando para terminar a primeira das sete semanas que restam para o término do ano legislativo sem uma decisão segura sobre a pauta prioritária de votações, no Congresso Nacional.

Resta a expectativa de que, assim como muitas vezes já ocorreu na história do parlamento brasileiro, haja, de última hora, na base do afogadilho, a votação de propostas mais polêmicas, como é o caso da reforma da Previdência.

Voltando às declarações do presidente Temer, a decepção do mercado ficou bastante explícita na elevada queda, nessa terça-feira, 07, do Índice da Bolsa de Valores de São Paulo, na ordem de 2,27%, descendo a menos de 73.000 pontos, depois de chegar, recentemente, aos 77.000.

Isso mostra como o mercado considera relevante a aprovação da reforma da Previdência, uma proposta que pareceu estar sendo abandonada pelo governo, pela palavra de Temer, no que pese a resistência de Meirelles e Maia e o anunciado recuo do presidente, ato contínuo.

Sérgio Botêlho – Anexo 6

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