Para Guterres, secretário geral da ONU, crises atuais exigem liderança feminina

 

Em seu discurso de abertura da Comissão sobre o Estatuto da Mulher (CSW), na última segunda-feira (14), o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, defendeu que as crises climática, de saúde e econômica, além da eclosão de novas guerras, mostram que mulheres e meninas precisam ser alçadas a postos de liderança e tomada de decisão. 

Para o secretário, a igualdade de gênero e os direitos das mulheres devem estar no centro de um contrato social renovado e adequado às sociedades e economias de hoje.

Guterres afirmou que a situação de fragilidade da paz mundial mostra que as estruturas do patriarcado e de exclusão precisam ser eliminadas, usando a invasão da Ucrânia pela Rússia como um exemplo disso. 

“Em todos os lugares, mulheres e meninas enfrentam as maiores ameaças e os danos mais profundos”, disse o secretário-geral. “E em todos os lugares, mulheres e meninas continuam sendo amplamente excluídas das salas onde as decisões são tomadas”.

Este ano, CSW ressalta igualdade de gênero e empoderamento feminino no contexto das mudanças climáticas, ambientais e de desastres.

Legenda: Este ano, CSW ressalta igualdade de gênero e empoderamento feminino no contexto das mudanças climáticas, ambientais e de desastres.

Na abertura da 66ª sessão da Comissão sobre o Estatuto da Mulher (CSW), nesta segunda-feira (14), o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, disse que meninas e mulheres devem estar na liderança da criação do caminho para o futuro sustentável. A CSW é um órgão legislativo que faz parte do Conselho Econômico e Social (ECOSOC). Nas próximas duas semanas, Nova Iorque será a sede deste que é considerado o maior encontro para promoção da igualdade de gênero e empoderamento feminino.

Em seu discurso, Guterres disse que são “questões definidoras do nosso tempo” as crises climáticas e ambientais, juntamente com as consequências econômicas e sociais causadas pela pandemia da COVID-19 e pelos novos conflitos em andamento. Ele reforçou que nossa resposta coletiva a esses problemas será definitiva para traçar o curso da humanidade nas próximas décadas e lembrou que os danos dessas crises não serão sentidos igualmente por todos.

“Em todos os lugares, mulheres e meninas enfrentam as maiores ameaças e os danos mais profundos”, disse o secretário-geral. “E em todos os lugares, mulheres e meninas continuam sendo amplamente excluídas das salas onde as decisões são tomadas.

As populações femininas de pequenas nações insulares, países menos desenvolvidos e lugares afetados por conflitos são as mais afetadas, disse o chefe da ONU. A nutrição e meios de subsistência são fortemente impactados por mudanças no clima, e são elas as que mais sofrem quando o cultivo local de alimentos é ameaçado. 

Guterres também comentou que fica cada vez mais evidente que uma escalada nos eventos climáticos resultam em mais casos de casamento infantil e exploração. Ele também acrescentou que diante de desastres climáticos, mulheres e crianças têm até 14 vezes mais chances de morrer do que os homens.

Para Guterres, enfrentar as inúmeras crises instaladas e interligadas requer uma frente unida que proteja os direitos das mulheres já conquistados e invista em educação, saúde, empregos decentes e proteção social para mulheres e meninas. “A igualdade de gênero e os direitos das mulheres devem estar no centro de um contrato social renovado e adequado às sociedades e economias de hoje”, pediu.

Meio Ambiente – No que se refere à violência e ameaças contra mulheres defensoras dos direitos humanos e ativistas ambientais, Guterres mostrou-se profundamente alarmado. “Discriminação de gênero significa que apenas uma pequena parte de proprietários de terras e líderes são mulheres”, explicou ele, dizendo que as necessidades e interesses delas são “muitas vezes ignorados e deixados de lado” em políticas e decisões sobre uso da terra, poluição, conservação e ação climática.

Ele também lembrou que apenas um terço dos postos de tomada de decisão na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), Protocolo de Kyoto e Acordo de Paris são ocupados por mulheres; ao mesmo tempo em que elas chefiam apenas 15% dos ministérios do meio ambiente.

Além disso, apenas um terço das 192 diretrizes nacionais sobre energia incluem considerações de gênero e raramente estas questões são consideradas em financiamentos climáticos. “Isso demonstra mais uma vez que vivemos em um mundo e uma cultura dominados por homens”, discursou o chefe da ONU. “Um milênio de patriarcado que exclui as mulheres e impede que suas vozes sejam ouvidas. Não podemos realizar nenhum de nossos objetivos, sem que todos contribuam, incluindo homens e meninos trabalhando pelos direitos das mulheres e pela igualdade de gênero”.

Mudança de rota – O secretário-geral também usou a oportunidade para citar o relatório Nossa Agenda Comum, que propõe um reequilíbrio de poder por meio de um Novo Acordo Global e uma agenda de paz para reduzir todas as formas de violência – incluindo a violência baseada em gênero –  colocando mulheres e meninas no centro das políticas de segurança.

Ele também lembrou que a ONU está trabalhando para apoiar a participação e liderança das mulheres em todas as etapas da construção e manutenção da paz, inclusive por meio de seus enviados e representantes especiais, que estão projetando e apoiando estratégias para processos mais inclusivos nesta área.

Guterres acrescentou que os conselheiros de gênero nas Missões Políticas Especiais da ONU promovem a participação das mulheres e garantem que as prioridades delas sejam integradas a todo esforço político, uma vez que a liderança igualitária entre os gêneros “não se trata apenas uma questão de justiça, mas também é vital para criar comunidades e sociedades pacíficas e resilientes”.

“Não há como não associar a frágil condição de paz em nosso mundo com as estruturas de patriarcado e exclusão que vêm de longa data”, disse ele, citando a invasão da Ucrânia pela Rússia como “mais uma demonstração clara disso em todos os lugares”.

Padrão ouro – A sessão de abertura também contou com o discurso de outras autoridades das Nações Unidas, incluindo o presidente da Assembleia Geral, Abdulla Shahid, que destacou em sua fala o fato de, nos 76 anos da ONU, apenas quatro mulheres terem sido eleitas presidentes da Assembleia e nenhuma escolhida como secretária-geral.

“Isso precisa ser corrigido”, afirmou Shahid. “A ONU não pode exigir a implementação de padrões ouro em todo o mundo no que diz respeito à igualdade de gênero e ao empoderamento das mulheres, mas não implementar esse padrão em casa”. Ele finalizou seu discurso dizendo que se envolveria pessoalmente nos pedidos para que o posto de chefe máximo da ONU seja ocupado por uma mulher no próximo termo. 

ONU

 

 

 

 

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