PACTO POR UM NOVO BRASIL

O Brasil vive a mais grave crise desde a redemocratização. Nesse período passamos pelos anos Sarney, pelo impeachment de Collor, a crise energética no governo FHC e agora atingimos o fundo do poço, com o mensalão e o petrolão nos Governos PT.

Os desdobramentos da Operação Lava Jato devem aprofundar ainda mais o imenso desarranjo político nacional. Gravações recentemente divulgadas na mídia indicam que não apenas políticos petistas chafurdam na lama da corrupção.

A população não suporta mais o indecoroso comportamento de seus representantes. Pesquisa Datafolha realizada em dezembro de 2015 apontou que dois terços dos brasileiros acreditam que a maioria dos políticos é corrupta. Provavelmente essa percepção é muito próxima da realidade.

Evidentemente a corrupção desenfreada, aliada a péssima gestão do Estado, tem como consequência uma precária oferta de serviços públicos. O brasileiro não tem a contrapartida dos altíssimos impostos que paga. Além disso, o desemprego aumenta, a economia diminui e a inflação corrói o poder aquisitivo de nossos salários.

Estamos em uma encruzilhada. O conceito de democracia prega a soberania da vontade popular. Isso se concretiza através de eleições periódicas. As próximas serão em outubro, mas apenas para os cargos de prefeito e vereador. Por que não aproveitar o ensejo e realizarmos eleições gerais ainda neste ano?

Se o povo não se sente mais representado pelo atual quadro de mandatários, modifique-se o quadro. Isso é democracia em sua quintessência. Evidente que, para isso, seria necessária uma emenda constitucional votada de maneira emergencial. Ainda mais evidente é que o status-quo não coaduna desta solução.

O parlamentarismo oferece melhores mecanismos para a troca de governo. No caso inglês, semanalmente o premier vai ao Congresso prestar contas e ser sabatinado. O Governo sem sustentação é dissolvido de forma natural e isso não traumatiza o povo ou a economia. Mas e quando o Congresso também está contaminado? Que o povo faça a depuração e escolha novos representantes. Ou mantenha os atuais.

Aqui não vai nenhuma esperança que a ideia seja acatada. Nossa classe política é corporativa e apegada. Nem 10% de nossos políticos aceitariam tal solução. Quem imagina o Congresso aprovando novas eleições, suprimindo dois anos de mandato de cada Deputado e seis anos de um terço dos Senadores? Isso não vai acontecer. Mas devemos seguir tentando, propondo e exercitando nossas utopias.

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