O que esperar da Greve Geral de 28 de abril?

Dia 28 de abril acontecerá uma greve geral. Ela foi convocada por diversas centrais sindicais e tem como pautas principais o combate à Reforma Trabalhista e à Reforma da Previdência e, junto com isso, o combate ao Governo de Michel Temer. Segundo pesquisa realizada pelo instituto Ipsos, somente 4% consideram o Governo de Temer como ótimo ou bom. Além disso, 92% consideram que o Brasil está indo no caminho errado. Adicione a estes percentuais, o fato de 8 ministros e o atual Presidente terem sido citados como receptores de propina e/ou caixa 2 na delação da Odebrecht,a chamada “Delação do Fim do Mundo”. Este é o ambiente político no qual ocorrerá a Greve Geral. Assim, o que esperar dessa manifestação? Quais poderão ser as consequências dessa mobilização no cenário político brasileiro?

É difícil prever o futuro, mas é possível pensar em cenários a depender do que pode ocorrer na manifestação. Para isso, é relevante ressaltar que a rejeição às Reformas Trabalhista e Previdenciária ultrapassou o campo da esquerda e alcançou senão toda a população, uma parcela muito grande desta.

O cenário menos provável é o de uma greve geral com pouca adesão da população, manifestações esvaziadas e com tudo funcionando normalmente. Este é o desenho menos provável porque diversos sindicatos deliberaram em Assembleia Geral que vão aderir ao movimento paredista. E entre eles estão incluídos os trabalhadores de transporte, como rodoviários, metroviários e aeroviários. Ou seja, mesmo para os que desejam furar a greve e trabalhar, terão dificuldade para chegar ao local de trabalho.

O cenário mais provável e que vem se desenhando é o de uma greve geral com forte adesão e com manifestações que podem ser de grande alcance. É possível prever isso porque muitas categorias anunciaram que vão parar, como as já citadas acima. Mas também, porque entidades como a Ordem dos Advogados de várias localidades também vão aderir. Outro ponto importante é que instituições como a CNBB são contra as Reformas propostas pelo Governo Federal. E, ainda que venha perdendo fiéis, a igreja católica possui uma grande capilaridade.

Neste sentido, uma greve geral forte e mobilizada pode ser um divisor de águas não só no que diz respeito às reformas, mas no que diz respeito à manutenção do Governo Temer. O atual ocupante da cadeira presidencial tem sido alvo de diversas denúncias e há uma Comissão Especial na Câmara dos Deputados para apurar se ele cometeu crimes de responsabilidade, que aguarda a indicação dos integrantes pelas lideranças partidárias. O STF ficou de acionar o Ministério Público Federal para verificar se os líderes partidários cometeram crime ao não realizar tais indicações. Então, uma greve geral forte e de amplo rechaço ao governo e suas medidas pode fazer com que as lideranças partidárias, bem como o Supremo e o Ministério Público, atuem de modo a indicar os integrantes e garantir a tramitação do pedido de impeachment de Michel Temer. Além disso, pode servir como um incentivo para que o TSE não separe as contas da campanha presidencial de Dilma e Temer e reprove as contas, fazendo com que Temer saia do cargo.

Por fim, é importante ressaltar que tais previsões são possibilidades do que pode ocorrer a partir desta grave geral. O que não pode ser negado é que a essa mobilização pode resultar em um amplo processo político de reaglutinação de forças à esquerda e que, facilmente,  pode transbordar para fora do ambiente restrito às esquerdas partidárias e os movimentos sociais. É um momento em que o caldo pode engrossar e trazer consequências políticas importantes para a vida política brasileira. E os políticos que estão de olho na eleição de 2018 sabem disso e também estarão atentos às manifestações.

Receba todas as novidades do Anexo6diretamente em seu email


Deixe um comentário

avatar
  Inscreva-se  
Notifique-me de
Fechar Menu