Números de pesquisa renovam dificuldades da terceira via

Sérgio Botêlho – A mais recente pesquisa de opinião pública, conduzida pelo experiente cientista político e marqueteiro, Antônio Lavareda, do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (IPESPE), bastante respeitado no meio empresarial brasileiro, praticamente consolida, a preço de hoje, as candidaturas de Lula, do PT, e Bolsonaro, do PL, pela ordem, no segundo turno da disputa presidencial marcada para outubro próximo.

O detalhe mais importante dos números do Ipespe, contratado pela XP Investimentos, é o da ausência na lista de candidatos do agora ex-candidato Sérgio Moro, que se movimentava pelo campo da direita. Segundo os números, a saída do ex-juiz de Curitiba garantiu mais 4 pontos percentuais ao atual presidente Bolsonaro, levando-o à casa dos 30%. Enquanto isso, sem que tenha perdido nenhum ponto, o ex-presidente se mantém no elevado patamar dos 44%.

Nessa medida, tanto Lula quanto Bolsonaro ostentam números bastante significativos a pouco menos de 6 meses do pleito anunciando enormes dificuldades para os demais candidatos, enfeixados na terceira via, que seguem patinando em percentuais que não ultrapassam a casa de um dígito. Em terceiro lugar, por exemplo, sendo o mais próximo de Bolsonaro, aparece o ex-governador cearense e ex-ministro Ciro Gomes, do PDT.

Se não é possível dizer que a pesquisa Ipespe retira do conjunto Ciro Gomes, Simone Tebet (MDB), João Doria (PSDB) e Eduardo Leite (PSDB), todas as chances na disputa, não é exagerado dizer que são bastante remotas as chances de uma candidatura dessas, isoldadamente, terminar vitoriosa na eleição presidencial deste ano. Em patamares tão altos (44% e 30%) as chances dos demais ficam restritas ao campo incerto das imprevisibilidades.

Isso porque, na continuidade do processo, a candidatura Lula, com o bafejo à direita do seu futuro vice, Geraldo Alckmin (PSD), tende, no mínimo, a se manter nos níveis de aceitação atuais transferindo-lhe o direito de uma passagem tranquila ao segundo turno. Também Bolsonaro, no exercício da Presidência, e com a caneta a distribuir benfeitorias sociais e eleitorais, a mesma passagem é o que tende a acontecer.

Certamente, todos eles estarão, mais do que em qualquer outra campanha eleitoral, apostando alto nos seus discursos, enquanto torcem por escorregões dos outros. Principalmente nas entrevistas à mídia, em pronunciamentos habituais, no horário eleitoral gratuito e nos debates públicos midiáticos. Mesmo assim, será cercada de enormes dificuldades a tarefa de se viabilizar um segundo turno sem esses dois candidatos que hoje lideram as pesquisas de opinião pública.

Candidatura única

Na tentativa de melhorar as chances gerais do agrupamento, os partidos União Brasil, MDB, PSDB e Cidadania, que compõem a tal terceira via, anunciarão pré-candidatura única à Presidência da República no dia 18 de maio. A decisão foi tomada após reunião na tarde desta quarta-feira, 06, em Brasília, com os presidentes nacionais das quatro legendas – Baleia Rossi (MDB), Bruno Araújo (PSDB), Luciano Bivar (União Brasil) e Roberto F

Aborto

No debate “Brasil-Alemanha – União Europeia: desafios progressistas e parcerias estratégicas”, com a presença de Martin Schulz, ex-presidente do Parlamento Europeu e representante da Fundação Friedrich Ebert (FES), Lula defendeu a descriminalização do aborto, levantando argumentos do ponto de vista da saúde pública. Conforme Lula, quem mais sofre com os abortos clandestinos, que seguem acontecendo aos milhares, são as mulheres pobres. Contudo, do ponto de vista político-eleitoral, a declaração foi vista como prejudicial, uma vez que mexeu negativamente com o setor evangélico, onde, de acordo com a pesquisa Ipespe, Lula vem perdendo pontos.

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