Navegação difícil

Na direção do que aspirava o Palácio do Planalto, o presidente da influente Confederação Nacional dos Municípios-CNM, Paulo Ziulkoski, anunciou, ontem, de forma bastante enfática, o apoio da entidade à reforma previdenciária.

Antes, o governo assinou o parcelamento, por meio de Medida Provisória, em 200 suavíssimas prestações mensais, das dívidas das prefeituras com o Instituto Nacional de Seguridade Social-INSS, uma das reivindicações dos prefeitos ao governo federal.

O anúncio da CNM foi feito durante a abertura da XX Marcha dos Prefeitos a Brasília, ontem, pela manhã, na capital federal, na presença do próprio presidente da República, o peemedebista Michel Temer.

Ter o apoio dos municipalistas, na atual situação, representa força relevante à proposta, embora não decisiva, tendo em vista a influência que podem ter sobre os parlamentares, tanto da Câmara dos Deputados quanto do Senado Federal.

Por conta disso, o governo continua negociando, e está prestes a anunciar ambiciosa proposta de refinanciamento de dívidas com a Receita Federal, a beneficiar os três setores básicos da economia, com destaque para o agropecuário.

O maior problema continua sendo o povo, que segue, de maneira amplamente majoritária, rejeitando a reforma. E é justamente o povo que forma o eleitorado responsável pela recondução, ou não, de deputados e senadores, ao Congresso, no próximo ano.

Nesse sentido, reside mais uma aposta do Planalto nos prefeitos, todos, neste momento, em primeiro ano de uma gestão que teve início em janeiro passado, e, portanto, não necessitados, tão imediatamente, de votos, quanto deputados e senadores.

A questão é saber a capacidade real de os prefeitos influírem no pensamento do povo, com relação à reforma previdenciária, de tal forma a afastar o temor de deputados e senadores sobre a reação dos eleitores no próximo ano.

O problema, agora, é fazer com que a proposta seja aprovada na Câmara dos Deputados, por enquanto, uma parada de grande dificuldade, conforme já comentamos várias vezes, neste espaço.

Se passar na Câmara Baixa, então, vem a segunda parada, que é o Senado Federal, onde a situação também não será fácil. Pelo contrário, senadores de alta fidelidade ao governo, como é o caso de Magno Malta, do Espírito Santo, entre outros, que já dizem que não votarão favoravelmente à reforma.

É, assim. As dificuldades para a aprovação da reforma previdenciária são efetivamente enormes, e o governo vai cortar um dobrado para conseguir aprova-la, nas duas Casas do Congresso Nacional, com exigência de quórum qualificado.

Contudo, como diz o ditado, cada dia com sua agonia. Ontem, foi a vez do apoio da CNM. Na sequência, as concessões no campo das dívidas fiscais. É desse jeito que a barca da reforma previdenciária vai, embora sem uma certeza absoluta de que encontrará um porto seguro, ao final da navegação.

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