Não pode minimizar

O primeiro grande erro na presente crise nacional comete aquele que subestimá-la. É bom fazer tal ressalva por conta de uma grave tendência, nesse sentido, identificada em todos os lados da disputa política brasileira, nos últimos tempos.

Fechados em copas, os grupos que se digladiam no país adotam a mesma posição quando saem as denúncias: se forem contra o adversário, tudo bem, procedem; mas, se forem contra si próprios, é mentira.

Durante a fase inicial da Operação Lava Jato, os adversários do PT, partido no poder e flagrado em graves erros de condução da política e da economia, e de comportamentos pessoais, curtiram à larga a prisão de vários de seus (do PT) próceres.

Na sequência dos acontecimentos, a opinião pública foi mobilizada em tal proporção, que acabou, junto com uma maioria parlamentar formada no Congresso Nacional, derrubando a presidente eleita em 2014, Dilma Rousseff.

Agora, a Lava Jato, pela força das mesmas delações premiadas que levaram os petistas à prisão, negociadas pelas mesmas figuras que compõem as investigações da Lava Jato, começam a atingir forças políticas beneficiadas pelo profundo desgaste petista.

Em ambas as situações, os lados atingidos, cada um em seu momento de desgraça, começaram por tentar a desqualificação das acusações, desprezando o poder que tinham na opinião pública.

É certo que, à época da crise do governo petista, boa parte da mídia tinha posição contra o governo, claramente definida em editoriais. O que gerou em meio às esquerdas uma justa desconfiança, embora, insuficiente para explicar a crise em toda a sua dimensão.

Pois bem. Nas mais recentes delações tornadas públicas, especialmente as que vazaram no último final de semana, o maior atingido é o governo Temer, que substituiu o governo Dilma por força do impeachment aprovado no Congresso Nacional.

Também agora, assim como aconteceu durante a gestão Dilma, há setores do atual governo tendentes a minimizar a crise, e, no mesmo diapasão utilizado pelos petistas, dando preferência à desqualificação das confissões acusatórias.

Há outra coincidência entre as duas situações: tanto ontem, quanto hoje, revela-se grande insatisfação popular, segundo demonstram as pesquisas de opinião pública. Daí para a repetição, num futuro próximo, das ruidosas manifestações populares no governo Dilma, é um passo.

Convém às principais figuras do governo Temer agir, agora, de forma diferente da que caracterizou o governo Dilma. Antes de mais nada, reconhecendo que são acusações graves e que a crise é, por conseguinte, bastante grave.

Tomando essa avaliação como parâmetro, será mais fácil encontrar a solução mais eficaz, que pode começar por uma limpeza ética, e terminar pela convocação de eleições diretas, sem a qual, a Nação não terá paz.

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