Lideranças mundiais fazem apelo ao fim da violência política contra as mulheres

Presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, Abdulla Shahid, organizou um encontro especial para debater a violência política contra as mulheres

Reuniram-se representantes dos Estados-membros da ONU, bem como altos funcionários das Nações Unidas, para debater temas como a hostilidade contra mandatos femininos em todo mundo e o endurecimento de leis contra a propagação online de discurso de ódio.

“Somente quando as mulheres estiverem a salvo da violência e a responsabilização pelos crimes for assegurada, teremos tomadas de decisão mais justas, inclusivas e responsivas. Só assim poderemos avançar na Agenda 2030”, disse em seu discurso no evento, a diretora executiva da ONU Mulheres, Sima Bahous.

Diretora Executiva da ONU Mulheres, Sima Bahous (ao centro), fala em um evento especial, organizado pelo presidente da Assembleia Geral, dedicado à eliminação da violência política contra as mulheres

Em um evento paralelo à 66ª sessão da Comissão sobre a Situação das Mulheres (CSW) – que acontece em Nova Iorque até o dia 25 de março –, lideranças mundiais pediram ações e respostas concretas para acabar com a violência política contra as mulheres em todo o mundo. O encontro especial foi organizado pelo presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, Abdulla Shahid.

Em sua declaração de abertura, Shahid enfatizou que “a violência política contra as mulheres cria obstáculos adicionais e, às vezes, mortais à participação ativa e significativa das mulheres na política. Devemos fazer mais para eliminar a difusão dessa violência”.

A relatora especial da ONU sobre este tema, Reem Alsalem, identificou a violência política contra as mulheres como uma tentativa de silenciar e excluir as mulheres da vida pública e política. “Isto ameaça os próprios fundamentos da democracia e os impactos positivos das medidas adotadas pelos Estados em diferentes partes do mundo para aumentar a representação das mulheres, partidos políticos, parlamentos e governos. Também mina a capacidade das mulheres de participar plenamente na resolução de conflitos, nos processos de construção da paz e na construção da nação”, destacou ela.

A diretora executiva da ONU Mulheres, Sima Bahous, pediu que os Estados-membros da ONU tomem medidas concretas para garantir ambientes seguros para as mulheres exercerem seus direitos políticos. “Somente quando as mulheres estiverem a salvo da violência e a responsabilização pelos crimes for assegurada, teremos tomadas de decisão mais justas, inclusivas e responsivas. Só assim poderemos avançar na Agenda 2030”, disse Bahous.

Oportunidades – Durante o evento, declarações de ministras, ministros e especialistas chamaram a atenção para as barreiras estruturais e normativas existentes no combate à violência política, bem como novas oportunidades para eliminar estes casos.

Muitos Estados-membros da ONU abordaram as experiências injustas entre gêneros na política, com as mulheres enfrentando mais hostilidade antes e durante seus mandatos do que os homens, o que pode silenciar ou desencorajar as mulheres a participar do processo político. A conscientização sobre os obstáculos e barreiras enfrentados, o compromisso da sociedade com a transformação e o recrutamento do apoio dos homens como aliados na luta contra a violência política contra as mulheres  são fundamentais para reverter o quadro.

Os Estados-membros também expressaram preocupação com o papel da tecnologia e enfatizaram a responsabilidade que as plataformas de mídia social têm no combate ao discurso de ódio contra as mulheres na política e a necessidade de melhorar os mecanismos para ajudar a combater a violência cibernética. A Lei de Serviços Digitais da União Europeia, recentemente aprovada, foi elogiada pelos participantes. Ela criminalizará a violência cibernética, incluindo discurso de ódio com base em sexo ou gênero, bem como o compartilhamento não consensual de imagens íntimas.

Helena Dalli, comissária da União Europeia para a Igualdade, disse que “podemos e devemos fazer melhor para garantir que as mulheres tenham participação, representação e voz iguais na política e nos debates públicos, além de incentivar mais mulheres a participarem do debate e construir um mundo de igualdade”.

Foto: © Ryan Brown/ONU Mulheres

Edição do Anexo 6: Sérgio Botêlho, com informações das Nações Unidas

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