Lava Jato: poço sem fundo

Enquanto o Brasil vive a expectativa das delações da Odebrecht, em fase derradeira de revisão pelo Supremo Tribunal Federal, e, portanto, próximas de serem homologadas, nova operação da Lava Jato pode ter aberto outro espaço de investigações, ainda não devidamente mensurado.

Ontem, a Polícia Federal saiu às ruas com um mandado de prisão contra Eike Batista, símbolo, recentemente, do empresário brasileiro bem-sucedido, e, como tal, festejado em todo o mundo. Há algum tempo sabe-se que a história não era tão bonita, assim.

Pois bem. Em 2012, há apenas quatro anos, Eike era incluído entre os sete homens mais ricos do mundo, pela conceituada revista americana Forbes, ocupada com assuntos ligados à economia e aos negócios, e que, de vez em quando, classifica a elite financeira mundial.

Dois anos depois, em 2014, a mesma Forbes registrava a vertiginosa queda do brasileiro, rebaixado numa dimensão inimaginável: dos US$ 30 bilhões de 2012, só lhe restaram US$ 300 milhões, o que tirou o brasileiro da lista dos bilionários internacionais.

Mas, enquanto foi bilionário, Eike participou ativamente das negociatas tão comuns ao mundo político brasileiro, especialmente com o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, hoje, preso na Penitenciária de Bangu.

Foi por essa relação com Cabral que a Polícia Federal esteve em sua casa, ontem, munida de um Mandado de Prisão. Eike somente não foi preso por estar oportunamente viajando a Nova York, passando, ainda no decorrer do dia de ontem, a ser procurado pela Interpol.

Há desconfiança, em meio a pressupostos tão comuns em situações como essa, que não seria somente Sérgio Cabral o beneficiário de Batista. Nem Guido Mantega, a quem denunciou ano passado. Mas, há muito mais gente, e, mais partidos, segundo dizem.

Quer dizer: se Eike resolver abrir a boca, a famosa lista da Odebrecht, que teria mais de uma centena de beneficiados com o propinoduto institucionalizado pela construtora, pode vir a crescer, de modo desmedido.

E tem mais. Caso o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, preso em Curitiba, não enxergar outra saída que não a da delação premiada, para se ver livre da cadeia, aí o mundo desaba, de uma vez, pois, segundo cochicham, o homem saberia demais.

Infelizmente, mesmo com todo um quadro, assim, tão terrível, não existe na praça uma proposta realmente profunda e eficaz de reforma política, que, fortalecendo os partidos e a transparência mais absoluta do processo eleitoral, reduza drasticamente as chances de a corrupção na política continuar ocorrendo, no país.

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