INTOLERÂNCIA: (MAIS) UMA HISTÓRIA DE HORROR

O extermínio cometido por Omar Mateen na boate Pulse, em Orlando, desvela a cultura do ódio que permeia a humanidade. Sobre o atentado em si: as 03:02h de domingo,

O extermínio cometido por Omar Mateen na boate Pulse, em Orlando, desvela a cultura do ódio que permeia a humanidade.

Sobre o atentado em si: as 03:02h de domingo, 12 de junho, Mateen entra na boate Pulse, frequentada pelo público LGBT e abre fogo contra seus frequentadores. São 49 mortos, além do atirador. Foi o maior ataque a tiros da história americana.

Omar Mateen é produto de, pelo menos, duas culturas de ódio: a da intolerância religiosa e a homofobia.

Cidadão americano, filho de imigrantes afegãos, Mateen já estivera 2 vezes no radar do FBI, suspeito de simpatia com movimentos terroristas. Minutos antes do atentado, ligou para o serviço de emergência americano, o 911, e declarou sua lealdade ao Estado Islâmico.

O pai do atirador apressou-se em desmentir qualquer motivação religiosa para a ação.  “A questão religiosa não tem nada a ver com isso. Ele viu dois homens se beijando em Miami há alguns meses e ficou muito irritado”, declarou Mir Sediqque.

Evidente que a facilidade de acesso a armas nos Estados Unidos contribui para acontecimentos deste tipo. Cabe ressaltar os esforços do Presidente Obama em dificultar o porte ou, pelo menos, endurecer os critérios para aquisição. A maior parte, em vão.

O cerne da questão, no entanto, é outro. Na raiz dos fenômenos da destes males reside a intolerância. E ela é observada sob diversos prismas.

A não aceitação à pluralidade, ao diferente, é o grande assombro da sociedade moderna. No Brasil, está presente nas guerras de torcida, nos ataques às religiões de matriz africana, no racismo e na polarização extrema que vive a política nacional.

Perdemos a capacidade de perceber o outro. Não nos emocionamos com refugiados de guerra, gente em vulnerabilidade social ou grandes tragédias.

A falta de empatia é evidente. Em um breve passar de olhos pelas redes sociais observamos a torpeza humana em comentários desairosos sobre o que quer que seja. Não foram poucos os que fizeram troça com as vítimas de Orlando, como não são poucos os que culpam a vítima do estupro coletivo e nem os que se jactam com os mortos e feridos nas batalhas dos estádios.

Não há solução a curto prazo. Ensimesmados, não enxergamos nosso próximo. Vivemos em uma grande cadeia, qualquer ação em Xangai se reflete em Xapuri.

O mundo nunca foi tão rico. A ciência nos possibilita viver 100 anos. Mesmo com todas as crises, a produção agrícola bate recordes de produção continuamente.  O homem extrapolou as fronteiras do sistema solar. A Terra é próspera. Então falta o que? Falta amor. É hora de repensarmos nossos valores.

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