Greve dos caminhoneiros: breve reflexão

Sérgio Botêlho

A greve dos caminhoneiros ocorre em meio a uma crise geral provocada por uma escalada do preço de combustíveis. O movimento teve início pelo segmento dos caminhoneiros autônomos, os mais apertados pelo preço do diesel e pelas estreitas margens de ganhos.

Na sequência, embarcaram no movimento grandes transportadoras e diversos setores empresariais, parte destes, ligados ao campo, com um bom motivo para reclamar: a carga tributária.

O incremento fez com que a greve subisse de patamar até o ponto de quase provocar um colapso geral no país, atingindo não apenas as bombas de gasolina, mas, também, o abastecimento alimentar, a saúde, a educação etc, etc, etc.

Como reinam insatisfações generalizadas no meio da população, o apoio popular à greve dos caminhoneiros foi praticamente automático, cada um com uma motivação particular para tal, apesar do sofrimento com a greve.

Agravando o quadro, no comando do país está um governo fragilizado, com índices de popularidade bem perto do zero, e que, por isso, findou por aceitar praticamente tudo o que os caminhoneiros pediram.

No momento, a greve vai se esvaziando paulatinamente com o abastecimento em geral voltando às condições de normalidade existentes antes do movimento dos caminhoneiros, este, um capítulo histórico, certamente.

No momento, permanecem na resistência ao acordo segmentos radicalizados de direita que apregoaram, durante o processo, uma intervenção militar que viria, por força constitucional (sic), após o sétimo dia da greve, este, a mais extravagante fake news da quadra.

Em larga medida, sai fortalecida a democracia brasileira, que aos poucos vai se consolidando, apesar de todos os percalços e escândalos que somente vieram à tona exatamente por conta da autonomia do Judiciário, fruto das liberdades democráticas vigentes.

O que se espera, a partir de agora, é sobriedade, embora seja algo de difícil de prever em um ano eleitoral como o que estamos vivendo. Contudo, é possível até perceber que alguma coisa nesse sentido pode até estar acontecendo.

Prova disso, é a mudança de posicionamento do candidato presidencial das alas mais à direta do espectro político nacional, o deputado federal Jair Bolsonaro, que, em importante mudança de tom, está pregando o fim da greve e dirigindo críticas à proposta de intervenção militar.

Ao povo, infelizmente, caberá o ônus das concessões, já que pela redução e pelo congelamento do preço do diesel a Petrobras será compensada com recursos do Tesouro, vale dizer, com dinheiro oriundo dos impostos pagos pela população, enquanto a gasolina continua subindo de preço.

Espera-se, contudo, que não se concretizem as promessas de setores governamentais no sentido de aumentar impostos, e que, diferentemente disso, promova-se, o mais urgente possível, uma reforma tributária, tão necessária ao país, há muito tempo.

Que se firme, cada vez mais fortemente – e, neste ponto, a continuidade das mobilizações populares é necessária –, a consciência de que o Brasil precisa colocar um fim à corrupção e à gastança desenfreada, nos poderes, algo somente possível com o aprofundamento da democracia, no país.

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