Flores do recesso

Mais rápido do que se imaginava, o ambiente político vai se enchendo de cores menos pasteis por conta das chamadas flores do recesso. As flores de ontem vicejaram em Curitiba e no Palácio do Jaburu, carregando aos quatro ventos pólens de intranquilidade e desavença.
De Curitiba, parecer do juiz Sérgio Moro rebateu duramente contestação, ao ato condenatório de Lula, assinada pelos advogados do ex-presidente, que entraram em juízo com os tradicionais embargos de declaração.
Nos embargos, os advogados pediam a revisão de pontos da sentença, considerados, por eles, como supostamente contraditórios ou omissos, com o objetivo de, na sequência, pedir impugnação da decisão de Moro ao colegiado do Tribunal Regional Federal da 4ª Região.
O juiz paranaense negou peremptoriamente os embargos, acusando a peça como possível de beneficiar o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e afirmando que não haveria qualquer contradição ou omissão em sua sentença contra Lula. Esta é uma flor a produzir, ainda, bastante pólens, nos próximos dias.
Do Palácio do Jaburu, viçou outra flor do recesso, representada por um encontro, fora da agenda, entre Temer e deputados dissidentes do PSB que entraram em rota de colisão com a executiva socialista por estarem apoiando o governo.
Segundo vazou para a imprensa, o presidente, preocupado com possível filiação desses dissidentes ao DEM, de Rodrigo Maia, tentou convencê-los a se filiarem ao seu (de Temer) PMDB, visando, possivelmente, a não fortalecer demais o presidente da Câmara, beneficiário de uma eventual queda do peemedebista.
O resultado é que, por intermédio do ministro da Educação, deputado federal licenciado Mendonça Filho (DEM-PE), o governo reservou o Palácio do Jaburu para um jantar de última hora, na noite desta terça-feira, 18, entre o presidente Temer e o presidente da Câmara, para desanuviar o mal-entendido.
Restaram críticas, também, para as bandas do PSB. Tanto assim que viagem presidencial a Caruaru, no Estado de Pernambuco, nesta quarta-feira, 19, quartel-general dos socialistas, teve de ser adiada, conforme informaram os porta-vozes do Palácio do Planalto.
Essa, portanto, outra flor do recesso a distribuir pólens durante o atual período de férias parlamentares. Convém observar que estamos falando apenas do primeiro dia de recesso, com os trabalhos no Congresso sendo retomados na terça-feira, 01 de agosto.
Porém, a polinização das flores do recesso não deve ficar por aí. Mais das mesmas devem nascer no jardim de um período de descanso que se anunciava pintado pelas cores cinzas de uma desejada trégua, mas, que tende a ser, efetivamente, bem florido.

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