#FestanaFavela soa como proibição preconceituosa

Crédito da foto: Agencia de Notícias das Favelas. Reprodução da Internet.Sérgio Botêlho

Não é possível descobrir, ainda, o fundamento verdadeiro da posição tomada pela equipe de marketing do #Flamengo do #RiodeJaneiro em proibir, nas redes sociais do clube, a expressão “Festa na Favela” cantada nos estádios pela torcida do clube.

O argumento utilizado é o de que a expressão favela está vinculada à violência. Mas, aqui pra nós: pode até não ser, mas, a proibição acaba descambando do politicamente correto para provável preconceito, puro e simples. Pelo exagero, inclusive, pode até ser fake News.

É como se os marketeiros em pauta quisessem apagar a implacável realidade brasileira, onde as favelas, fruto de um enorme processo de migração interna, no país, e das nossas imensas desigualdades sociais, tivesse de ser apagada, como se isso fosse possível.

O Flamengo é um clube de massas, do Rio, e, sendo assim, arregimenta enorme parcela de sua torcida justamente nas favelas cariocas, e em muitas outras comunidades semelhantes espalhadas pelas cidades do Brasil, afora.

Diferentemente do que defendem os marketeiros flamenguistas, essa manifestação da torcida deveria ser festejada pelo clube, principalmente porque os torcedores estão, na verdade, encarando de frente, queimações ridículas feitas aos flamenguistas por algumas parcelas elitistas de torcedores de outras agremiações. 

*FestanaFavela, no caso, soa muito mais como um canto de resistência da torcida rubro-negra carioca a provocações e preconceitos, contribuindo para desmistificar a pecha social de que todo favelado tem ligações com a violência e com o crime organizado.

Assim sendo, seria muito bom, não apenas para o Flamengo, como para o Brasil, que se continuasse ouvindo, nos estádios, e repercutindo sonoramente nas redes sociais do clube, o grito #FestanaFavela do torcedor flamenguista, um canto, a bem da verdade, muito, mas, muito mesmo, autenticamente brasileiro.

O Brasil tem de largar com essa mania de se limitar a ter apenas vergonha de suas condições sociais e econômicas e, a partir daí, lutar pela sua superação. Não é escondendo essa realidade que vamos conseguir alcançar melhores níveis de desenvolvimento geral.

(Em tempo: torço fervorosamente pelo Botafogo, seja o da Paraíba ou o do Rio de Janeiro. Aliás, embora menor em número, se for feita uma estatística da composição social da torcida do Botafogo – como, ainda, de todos os outros times do Rio, de São Paulo e do Brasil inteiro – haverá de ser descrita uma parcela maior dos respectivos torcedores como oriundos das favelas e de comunidades pobres, do país, simplesmente porque é nelas onde reside a maioria do povo brasileiro).

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