Ferve o caldeirão político em Brasília

Sérgio Botêlho - Jornalista
Sérgio Botêlho – Jornalista

Sérgio Botelho – Anexo 6

Não há tempo bom à vista, na política, em Brasília. Não difere muito das outras semanas recentes a que tem início nesta segunda-feira, 16. Nela, há duas questões especiais, ambas, referentes ao conturbado momento político nacional.

A primeira, diz respeito à situação do senador Aécio Neves (PSDB-MG), que foi afastado do mandato pela 1ª turma do Supremo Tribunal Federal, e, além disso, obrigado a se recolher, à noite, à residência.

Em nova deliberação tomada pelo pleno do STF, na última quarta-feira, 11, por 6 X 5, a decisão foi mantida, mas, acrescentada a brecha de que ao plenário do Senado caberia a posição final. Agora, o problema foi transferido para os senadores, que estão longe de um consenso sobre o assunto.

O PT já prometeu votar pela manutenção do afastamento de Aécio, o que aperta o placar. Acossados pelas redes sociais, muitos senadores também podem votar contra o tucano, cujos aliados defendem que o voto, sobre o tema, na sessão, seja coletado de forma secreta.

A prejudicar a intenção dos aliados de Aécio, há o precedente do senador Delcídio do Amaral, ex-PT, do Mato Grosso do Sul, cuja votação, envolvendo, também, afastamento do cargo, foi realizada de forma aberta.

São elevadas as chances de o problema do voto secreto ou aberto para o afastamento de senadores ser outro tema a ser levado ao Supremo, uma vez que o senador Radolphe Rodrigues (PSOL-AP) está prometendo recorrer.

A segunda questão, a correr paralela, dessa feita, na Câmara dos Deputados, é a da segunda denúncia contra Michel Temer. Nessa terça-feira, 17, começa, na Comissão de Constituição e Justiça, o debate sobre o relatório do deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), favorável ao presidente.

Segundo os analistas de plantão, apesar de ser previsto um debate acirrado, a maioria da Comissão, a preço deste domingo, 15, deve aprovar o relatório, recomendando a rejeição, pelos deputados, da denúncia contra o presidente.

Lideranças de partidos aliados promoveram uma cirúrgica substituição de membros, na CCJ, para garantir votos favoráveis a Temer, repetindo o que acontecera quando da primeira denúncia.

O problema maior está na etapa posterior à da Comissão, ou seja, no plenário da Câmara. Há sinais de que o presidente haja perdido algum apoio entre a primeira e esta segunda denúncia. Não se sabe, entretanto, qual o tamanho da possível perda.

Acontece que são cada vez mais evidentes as movimentações do presidente da Casa, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), no sentido contrário aos interesses do Palácio do Planalto. Maia é o sucessor eventual da Presidência da República, no caso de afastamento de Temer.

Pois bem. Isso tudo é assunto para esta semana. Além de outros, é claro, que possam surgir, para melhorar ou embaralhar os acontecimentos. Um deles, está no ar, e piora, muito: novas delações do doleiro Funaro atingem, diretamente, o presidente Temer.

Sobre essas delações, o angu está no fogo. Os áudios da delação de Funaro foram divulgados pela Câmara dos Deputados. Ao saber da divulgação, o advogado de Temer considerou-a “criminosa”, conforme suas palavras.

Aí, o presidente da Casa, Rodrigo Maia endureceu o tom, ontem, domingo, 15, chamando Eduardo Carnelós, o advogado, de “incompetente” e “irresponsável”. Como se vê, fechou o tempo, então.

Analistas dizem que Rodrigo Maia e aliados passaram a trabalhar pela derrota de Temer na Câmara. Desse jeito, pode estar se desmanchando o grande trunfo do atual governo, que era, justamente, seu poder sobre o Congresso.

Sérgio Botêlho – Anexo 6

 

 

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