Encerrado o pleito: e agora?

Encerradas as apurações do pleito municipal de 2016, hora de entender o recado das urnas. Antes de mais nada, uma constatação: o eleitor está insatisfeito com a política em uma dimensão maior do que nas eleições anteriores.

Tal insatisfação fica bem clara na enorme quantidade de votos nulos e brancos, além das abstenções, que, na esmagadora maioria dos casos, foram superiores à votação dos eleitos, que ficaram longe dos 50% mais 1 dos eleitores das respectivas cidades.

Neste segundo turno, nas 18 capitais em que houve segundo turno, nenhum dos eleitos obteve 50% dos votos. Os que mais se aproximaram foram o de Recife (47%), o de Porto Velho (46%) e o de Manaus (46%).

Isto significa que os prefeitos eleitos assumem as prefeituras com a maioria da população local não alinhada com seus discursos e propostas. Um enorme desafio a todos eles, diante, ainda, das dificuldades vividas pelas prefeituras.

Aos políticos, o recorde de abstenções, e de votos nulos e brancos, no pleito cuja apuração foi encerrada, ontem, indica a necessidade urgente de mudanças no Estado brasileiro, a começar por uma reforma política digna deste nome.

Vencedores

Porém, a despeito dessa desconfiança do eleitor, há um partido vencedor no pleito municipal encerrado, ontem: o PSDB. Os tucanos vão governar sete capitais brasileiras, entre elas, São Paulo (conquistada ainda no primeiro turno) e Porto Alegre (agora, no segundo).

O fato de ter perdido a eleição em Belo Horizonte, o que se constitui numa perda significativa para os tucanos, a derrota do candidato de Aécio Neves (mais uma, por sinal, em sua terra natal) pode servir como fator decisivo na organização do partido, rumo a 2018.

Por que o grande vencedor da eleição 2016, ao menos, no circuito interno peessedebista, foi o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que ganhou de forma evidente demais o pleito em seu estado, diferentemente do ex-presidenciável tucano mais recente, no seu.

Alckmin não apenas venceu a disputa na Capital, São Paulo, o maior colégio eleitoral entre os municípios brasileiros, como estendeu os ganhos tucanos pelo interior do estado adentro, conquistando importantes feudos petistas.

Dessa maneira, é possível que, com a derrota em Belo Horizonte, Aécio acabe se convencendo da necessidade de abrir caminho para a candidatura do governador paulista. E quanto mais cedo o fizer, mais chances o PSDB terá na disputa de 2018.

Crivella e PT

Por fim, dois outros fenômenos se sobressaem do pleito municipal de 2016. O primeiro, a vitória de Marcelo Crivella nas eleições cariocas, ele, um dos mais emblemáticos representantes dos evangélicos neopentecostais.

Bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, Crivella pode, enfim, representar a chance, sempre sonhada, dos evangélicos, em chegar ao poder central, no país. Embora tenha, o novo prefeito carioca, de vencer resistências dentro do próprio movimento evangélico.

Crivella vai depender, também, do desempenho de sua gestão à frente da cidade do Rio de Janeiro. E, como os demais pretendentes, aguardará o progresso da Operação Lava Jato e o desenrolar da crise econômica brasileira e internacional.

O outro fenômeno que tratamos nesse parágrafo final, diz respeito ao PT, e às esquerdas, em geral, que saíram do pleito na condição de principais derrotados, perdendo a condução de centenas de municípios pelo país afora.

Com relação ao PT, também como os outros partidos, estará dependendo da capacidade de rearticulação das esquerdas, do sucesso ou insucesso da gestão Temer, e, evidentemente, da Lava Jato, particularmente impiedosa com a sigla, e seus principais dirigentes, até agora.

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