Demissão de ministro gera crise política no governo federal

SINOPSE NACIONAL DE 16 DE FEVEREIRO DE 2019

Edição: Sérgio Botêlho

JORNAIS:

Manchete e destaques do jornal O Globo: Após atrito com Bolsonaro, Bebianno vai deixar o governo. Presidente ainda ofereceu cargo em estatal ao ministro da Secretaria-Geral da Presidência, que viu nisso demonstração de ‘ingratidão’. Não houve acordo entre o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, que deixará o cargo depois de ser chamado de mentiroso pelo próprio presidente e por seu filho Carlos. Bolsonaro decidiu não atender aos apelos de políticos e militares para contornar a crise. Em reunião no Planalto, os dois tiveram um diálogo ríspido, com ataques mútuos. Bolsonaro chegou a propor um cargo de diretor de estatal a Bebianno, presidente do PSL durante a campanha, mas este o recusou, por considerar a oferta uma demonstração de “ingratidão’’.

Regimes especiais têm idade mínima igual para os sexos. Categorias que contam com regras especiais para aposentadoria terão idade mínima igual para homens e mulheres. A proposta de reforma da Previdência prevê 60 anos para professores e trabalhadores rurais, 55 para policiais civis e federais. No caso de políticos, o regime será o mesmo do setor privado.

Baixa vacinação contra sarampo ameaça Sudeste. Com o número de casos saltando em média 50% em um ano no mundo, o sarampo registrou o primeiro surto no Brasil em 2019, no Pará. A maior preocupação do Ministério da Saúde é o baixo índice de vacinação contra a doença: 49%. Se não atingir 95%, o sarampo pode passara outras regiões, como a Sudeste.

Por que o Brasil repete as suas tragédias. Rompimentos de barragens, incêndios, enchentes e mortes, muitas mortes. Por falta de planejamento, desleixo e irresponsabilidade, nossos desastres parecem tão previsíveis quanto inevitáveis. Diante da sequência e da frequência de desgraças, especialistas de várias áreas buscam responder: “Por que que a gente é assim?”. Consenso: para romper o ciclo, é preciso livrar- se da nossa histórica resignação.

Presidente da Petrobras quer vender refinarias e reduzir participação a menos de 50%.

Editorial1: Protocolo de crise para chuva ajuda, mas não dispensa obras de prevenção. Gastos em programas contra enchentes e deslizamentos no Rio têm caído nos últimos anos.

Editorial2: Reforma ataca pontos críticos da Previdência. Medidas antecipadas pelo governo têm boa calibragem, e projeto deverá atender ao ajuste fiscal.

Manchete e destaques do jornal Estado de São Paulo: Bolsonaro quer Bebianno fora; Planalto busca saída negociada. Após conversa ríspida entre presidente e ministro, governo tenta evitar acirramento da crise política. Jair Bolsonaro estava decidido ontem, após reunião tensa, a demitir o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno. Ele deve deixar o cargo até segunda-feira. Antes do encontro, o presidente havia cedido a pressões dentro e fora do governo para manter o auxiliar, mas voltou atrás após saber que Bebianno teria deixado vazar áudios de conversas entre os dois. Para evitar o agravamento da crise iniciada na quarta-feira, o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, foi chamado para construir uma “saída honrosa” para Bebianno, a quem foi oferecido um cargo fora do Planalto, que ele recusou. A integrantes do governo, o ex-presidente do PSL, partido de Bolsonaro, disse que “não se dá um tiro na nuca do seu próprio soldado”. Para auxiliares do presidente, a saída do ministro pode até mesmo atrapalhar a tramitação da reforma da Previdência no Congresso.

FHC critica ‘desorganização’. O ex-presidente afirmou em mensagem no Twitter que “início de governo é desordenado”, mas Jair Bolsonaro “está abusando”. “Não dá para familiares porem lenha na fogueira”, escreveu. “O fogo depois atinge a todos, afeta o País.”

Presidente do PSL será investigado por suposto caixa 2. A Procuradoria Regional Eleitoral em Pernambuco abriu procedimento para investigar o deputado federal Luciano Bivar (PE), presidente nacional do PSL, por possível caixa 2 na campanha de 2018. A investigação vai apurar uso do Fundo Partidário para contratar empresa de um dos filhos do parlamentar e o recebimento de doação de R$ 8 mil de um desempregado, casos revelados pelo Estado.

Veto a aluno de colégio militar gera atrito entre Exército e USP. Em reunião, ontem, a reitoria da USP rejeitou apelo do Comando Militar do Sudeste e manteve o cancelamento de matrículas de pelo menos 20 estudantes de colégios militares aprovados no vestibular pelo Enem. A alegação é de que as 12 escolas mantidas pelo Exército não se enquadram no sistema de cotas. O governador João Doria foi acionado pelo Exército.

Polícia prende 8 funcionários da Vale que sabiam de risco. Oito funcionários da Vale envolvidos na segurança em Brumadinho foram presos temporariamente. Eles são investigados para determinar a participação em “centenas de crimes” de homicídio qualificado. Até ontem, havia 166 mortos e 144 desaparecidos. Pedido de prisão foi baseado em e-mails que indicariam que a mineradora sabia de problemas na estrutura.

Decisão de Gilmar prolonga ação contra ex-Dersa. O ministro do STF Gilmar Mendes determinou que sejam ouvidas novamente testemunhas de ação em que Paulo Vieira de Souza é réu em caso do Rodoanel. A medida pode levar à prescrição dos crimes, diz força-tarefa da Lava Jato em SP.

Fim do horário de verão. À meia-noite, relógios devem ser atrasados em 1 hora no DF e em 10 Estados.

Adriana Fernandes. Governadores de Estados exportadores veem na reforma da Previdência oportunidade de ouro de repasses da União.

Editorial1: Finalmente, a reforma. Bolsonaro precisa urgentemente colocar ordem em sua casa para que seus problemas familiares não contaminem a discussão sobre a reforma da Previdência.

Editorial2: A tarifa e a Justiça. Reajuste da tarifa de ônibus em SP é mais um caso em que a Justiça interfere na administração com prejuízo para o cidadão.

Manchete e destaques do jornal Folha de São Paulo: Bolsonaro avisa Bebianno que ele vai ser demitido. Após escândalo de laranjas, presidente tenta estancar crise com saída de ministro. Chamado publicamente de mentiroso por Jair Bolsonaro, o ministro Gustavo Bebianno foi comunicado pelo presidente, em reunião ontem em Brasília, de que será demitido da Secretaria-Geral da Presidência. A exoneração deve ser formalizada até segunda-feira (18). Bebianno tornou-se o centro de uma crise instalada no Palácio do Planalto depois que a Folha revelou a existência de um esquema de candidaturas laranjas do PSL, presidido pelo ministro de janeiro a outubro de 2018. Ele nega envolvimento nas irregularidades. Embora tentasse um encontro pessoal com o presidente desde quarta-feira (13), Bebianno só foi recebido no fim da tarde de ontem, após ministros e aliados intervirem na crise. A conversa teria sido ríspida, e o presidente deixou um ato de exoneração assinado. Ministros tentaram, sem sucesso, demover Jair Bolsonaro, alegando que a demissão de um auxiliar tão próximo e dessa forma fragilizaria o governo.

Julianna Sofia: Bebianno não é o 1º zumbi fora das catacumbas.

Promotor vê fatos graves em caso de laranjas de MG. O promotor de Justiça de Minas Gerais Fernando Ferreira Abreu disse à Folha que o caso de candidaturas laranjas ligadas ao ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio (PSL), é grave. “Em tese, tem falsidade e apropriação indébita. Precisamos apurar”. Abreu determinou que as candidatas prestem depoimentos e não descarta ouvir o ministro.

Ações de Kroton e Estácio caem após Lava Jato da Educação. Jair Bolsonaro anunciou em rede social o acordo entre os ministérios da Educação e da Justiça para investigar indícios de corrupção no MEC. Os papéis da Kroton e da Estácio lideraram as quedas do Ibovespa.

Especialistas discutem pacote anticrime de Moro. Professor da USP, Leandro Piquet Carneiro defende que projeto do ministro da Justiça cria base legal que facilitará investigação e punição de delitos complexos. Para o presidente da OAB-SP, Caio Augusto Silva dos Santos, discussão atropelada pode levar a estado policialesco.

Polícia prende 8 funcionários da Vale em Minas. Operação do Ministério Público de MG prendeu oito funcionários da Vale com cargos de gerência e de equipes técnicas. As prisões são temporárias. A ação apura a responsabilidade pelo rompimento da barragem em Brumadinho, que deixou ao menos 166 mortos.

Câmara de SP questiona boletos de IPTU com reajustes de até 50%.

Editorial1: Como fabricar crises. Filho de Bolsonaro, humilhação de ministro e inabilidade do presidente ampliam turbulência.

Editorial2: Democracia na África. Nigéria escolhe seu presidente em meio a divisões, corrupção sistêmica e conflitos.

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