Cunha: o homem de gelo derreteu

Encerrou-se, há pouco, a carreira de político brasileiro mais emblemática deste século. Eduardo Cunha renunciou à presidência da Câmara. Com a voz embargada, leu carta protocolada na Vice-Presidência da

Encerrou-se, há pouco, a carreira de político brasileiro mais emblemática deste século.

Eduardo Cunha renunciou à presidência da Câmara. Com a voz embargada, leu carta protocolada na Vice-Presidência da Câmara, na qual fez breve histórico da eficiência de sua gestão frente à casa e destilou seu rosário de mágoas, em especial ao citar a “perseguição desumana” que sua família, esposa e filha mais velha, em especial, vem sofrendo. O homem de gelo derreteu.

Eduardo Cunha praticou como ninguém o que se convencionou chamar de “velha política”.  Iniciou sua vida pública na Presidência da TELERJ, indicado por ninguém menos que PC Farias. Naquela oportunidade, fundou sua fortuna. Ainda na empresa, iniciou o romance com sua atual esposa, então apresentardora do RJTV. Enfeitiçado por Claudia Cruz, contratou-a para uma locução na empresa. Não se largaram mais.

O agora ex-presidente da Câmara é como água em curso. Molda-se, adequa-se e adapta-se a qualquer rota. No Estado do Rio, foi parceiro de Garotinho, Rosinha, Cabral e Pezão. Em momentos de ruptura, sempre alinhou-se ao lado do poder. Mas foi em Brasília que viveu os momentos mais marcantes de sua trajetória.

Em seus anos como Deputado Federal, constituiu a informal “bancada do Cunha”, formada por parceiros sempre socorridos pelas valiosas contribuições financeiras que Eduardo conseguia angariar. Claro, cobrava a fatura quando necessário e, assim, azeitava a gigantesca máquina de corrupção que construiu.

Cunha sempre usou como método a extorsão, a chantagem e a intimidação. Usou sua prodigiosa inteligência para fazer fortuna e angariar poder. Chegou lá.

Já são históricos os embates em plenário do então presidente Cunha com adversários. Triturou-os um a um. Profundo conhecedor do regimento e dono de uma imensa coragem, refez votações e manipulou resultados de forma nunca vista no Legislativo nacional.

Nada, no entanto, se equipara à cruzada anti-petista que empreendeu. Municiado pelas denúncias oriundas da operação Lava Jato, liderou o movimento que impediu Dilma Rousseff. Os estilhaços de suas ações o atingiram. Agora constata-se, letalmente.

Que o ato de Cunha seja apenas mais um no sentido de reconstrução de um Brasil que desejamos. Não bastam apenas Dilma e Cunha, a justiça tem que atingir Lulas, Renans e afins. Nunca o Brasil teve oportunidade tão evidente de se recriar.

Como a história pintará Eduardo Cunha? Possivelmente como um dos mais nefastos políticos que já existiram. Certamente como aquele que derrotou o PT.

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.