Recados do Centrão e entendimentos no Planalto

Congresso Nacional e Palácio do Planalto. Crédito da foto: Sérgio Botêlho

Sérgio Botêlho

Bolsonaro inicia, nesta quinta-feira, 04, uma série de conversas visando formar uma base de sustentação governista no Congresso Nacional, numa evidente mudança na visão política do Palácio do Planalto com respeito às relações com os parlamentares.

Ontem, o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, não descartou a distribuição de cargos no governo – esta, a materialização da mudança -, com a finalidade de formar essa base governista, atendendo demanda dos partidos que formam o Centrão.

Ontem, por exemplo, o ministro Paulo Guedes, da Economia, esteve na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados para explicar detalhes da proposta de Reforma da Previdência que tramita na Casa.

A audiência pública terminou em confusão e teve de ser encerrada sem que a lista de oradores houvesse sido concluída, depois de um bate boca entre parlamentares de oposição e o ministro Paulo Guedes, com direito a xingamentos.

Com poucas participações dos parlamentares que compõem o Centrão, no debate, o espaço para questionamentos a Paulo Guedes foi praticamente ocupado pelos da oposição, numa aparente descoordenação da base do governo.

Essa participação maciça dos oposicionistas, num clima que repete a radicalização observada nas redes sociais, que fizeram Guedes perder as estribeiras, pareceu, na verdade, fazer parte de uma estratégia daqueles partidos de Centro.

O objetivo, segundo analistas, seria o de fazer com que o governo enxergasse a necessidade de compor a tal base de sustentação no parlamento para enfrentar as pautas encaminhadas para deliberação dos congressistas.

E “partido no poder, tem de participar do poder”, me disse, ontem, um importante líder do Centrão, lembrando, ainda, que essa questão era “elementar, na política, seja ela velha ou nova”, conforme enfatizou.

Portanto, a rodada de entendimentos com os partidos do Centrão, a partir de hoje, no Palácio do Planalto, pode representar mudança efetiva de parâmetro nas relações entre Executivo e Legislativo, ora em diante, influenciando, decisivamente, na governabilidade e no trâmite da Reforma da Previdência.

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