A semana de Temer

Esta segunda-feira, 31, marca o último dia do recesso no Poder Legislativo e, ainda, no Judiciário e no Ministério Público. A partir de amanhã, terça-feira, 01, tudo pode acontecer, menos, nada. Para o presidente Michel Temer, é uma semana decisiva, pois, na quarta-feira, 02, estará sendo votado, no plenário da Câmara dos Deputados, o relatório da Comissão de Constituição e Justiça da Casa, que nega ao Supremo a autorização para investiga-lo. Apesar de Temer ter o número de votos suficientes para livra-lo da denúncia, que é de apenas 172 (tem, até mais) deputados entre 513, não se sabe, ainda, se a sessão vai ter quórum suficiente, de 342 deputados presentes, para que a votação possa ocorrer. Se a falta de quórum terminar se impondo, o quadro fica muito ruim para o Planalto, já que a história vai continuar rendendo, e o governo, sangrando. Isto é: tudo quanto os oposicionistas mais radicalizados desejam. Caso haja o número suficiente de deputados presentes, os tais 342, resta saber qual vai ser a votação a ser alcançada pelos governistas em favor do presidente, outro fator de grande relevância para o futuro da política, em Brasília. Se for uma votação, em favor de Temer, abaixo de 3/5 dos deputados, ou, 308 votos, que é o número de votos necessário à aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição-PEC, vai ficar claro para o mercado que a aprovação da Reforma da Previdência não será possível. Por tudo isso, Temer anda trabalhando bastante na tarefa de convencer parlamentares a votar em seu favor. Ontem, ainda, recebeu o senador Aécio Neves (PSDB-MG), no Palácio do Jaburu, no intuito de dobrar as resistências entre os tucanos da Câmara. O problema é que a maioria dos deputados federais peessedebistas está prometendo votar contra o presidente, por conta da militância contrária aos interesses do governo da parte dos deputados mais novos do partido, os chamados cabeças pretas. Desde a semana passada que alguns governistas suspenderam o recesso para voltar a Brasília na intenção de trabalhar em favor do presidente. À mídia, a maioria dos pronunciamentos dessa turma é invariavelmente otimista. Do lado oposicionista, pouca coisa pode ser feita, a não ser discursos de contrariedade. Sem povo na rua, a pressão popular fica restrita às redes sociais, onde a resistência ao governo é muito forte. Curiosamente, ao que parece, não há interesse efetivo do PT na queda de Temer. Entre os petistas, o posicionamento do Fora Temer se restringe, mesmo, ao campo da retórica, posição que já incomoda, bastante, outras siglas à esquerda como o PSOL, o PDT e a Rede. Esses partidos estão decididos a se ausentarem da votação, para não dar quórum, e deixar o presidente sangrando. Diferentemente disso, o PT pode ir a plenário e votar contra, mas, dando o quórum para que a votação aconteça e a questão seja resolvida. Resolvida, certamente, em favor do presidente, já que os governistas têm maioria. E, em havendo quórum, a decisão será favorável ao Palácio do Planalto. Um jogo político sinuoso e repleto de manobras não muito claras para o grande público.

Receba todas as novidades do Anexo6diretamente em seu email


Deixe um comentário

avatar
  Inscreva-se  
Notifique-me de
Fechar Menu