Riscos e vantagens do ESG para os consumidores e investidores

Leonardo Milhomem *

Na coluna anterior, eu trouxe uma sigla com três letras que é a nova tendência no mercado financeiro e nas empresas: o ESG (environmental, social e governance). No que pese este assunto parecer distante, cada vez mais as empresas estão atentas a este universo do lucro com propósito, com responsabilidade social, ambiental e governança.

Mas e na prática? O que temos visto? As empresas de fast food já começaram a substituir grande parte das embalagens plásticas por embalagens de papel. Em alguns locais, os supermercados não fornecem mais sacolas plásticas e sim de papel ou de uma espécie de “plástico” biodegradável, de origem vegetal. O Ifood informa no APP que as emissões de carbono da entrega do pedido que você acabou de fazer já foram compensadas.

Outro exemplo são as empresas aéreas do Brasil. Como passageiro, sem conhecer profundamente a gestão, pude observar que elas vêm implementando ações sustentáveis. A Azul, por exemplo, coleta as embalagens descartadas e, ainda durante o voo, as separa (principalmente as latas de alumínio) para facilitar o descarte e a reciclagem.

A Gol oferece a emissão de passagens com a compensação das emissões de CO2, são um pouco mais caras, é fato, mas mesmo assim é um serviço que está disponível e os passageiros podem diminuir a pegada de carbono. Por fim, a LATAM oferta descartáveis de papel e, na última viagem que fiz, os copos, de papel, traziam uma campanha com a frase: “Sustentabilidade, um caminho necessário”, em três línguas diferentes.

Tenho certeza que a esta altura o leitor deve estar pensando que ainda é pouco. Sim, concordo. Pelo que eu pude perceber enquanto cliente, ainda é pouco. Considero pouco, pois os desafios são muito grandes e ESG é muito mais que isso.

Confesso ao caro leitor e à cara leitora que fico feliz quando vejo empresas adotando práticas sustentáveis. Considero isso positivo porque ajuda o consumidor a fazer sua escolha e é melhor fazer pouco a não fazer nada. É preciso dar o primeiro passo.

Até aqui entendo que o papel da ESG ao consumidor está ficando mais definido, mas e a outra ponta desta história? Quem investe nas empresas? Ganham o que com isso?

Será que o ESG pode também ajudar a fazer melhores escolhas no momento de fazer investimentos? A resposta é sim, pois implantar ESG de forma séria ajuda a diminuir os riscos e é exatamente isso que o investidor procura, menos riscos e mais lucro. E como o ESG diminui riscos? Você pode estar se perguntando.

Sendo bem direto: você investiria em uma empresa que, por conta da sua atividade (mal feita com problemas de governança) destruiu um rio inteiro e gastará bilhões de reais para recuperar o rio e indenizar as pessoas?

Investiria em uma empresa que, por conta da sua atividade, está afundando um bairro inteiro em Maceió? E que também gastará bilhões de reais para mitigar os impactos do que fez?

E uma rede de supermercados que sofreu boicotes após os seguranças de uma de suas lojas agredirem um casal de pessoas negras? Você não corre riscos em investir em uma empresa que erra a este ponto? Que sofre boicote e perde faturamento?

Pois bem, se as empresas supracitadas tivessem práticas ESG seria muito provável que as vidas de várias pessoas teriam sido poupadas, um rio teria sido preservado, um bairro inteiro estaria em condições normais e várias empresas não teriam falido por corrupção ou queda de faturamento por racismo ou injúria racial.

Quem implanta o ESG tem muitas vantagens. Diminuir os riscos aos seus investidores é uma delas. Como eu disse anteriormente, não é apenas uma questão de ambientalistas que vivem nas florestas ou de ativistas de direitos humanos, é também uma forma de proteger os sócios e investidores. Ao final, com o passar do tempo, as pessoas (investidoras ou consumidoras) não irão querer se relacionar com empresas que poluem, destroem, contaminam, discriminam ou praticam corrupção e o ESG é uma forma sistematizada de evitar isso.

* Leonardo Milhomem é especialista em gestão de Políticas e Sistemas Educacionais pela Escola Nacional de Administração Pública. É mestre em Gestão de Políticas e Sistemas Educacionais pela Universidade de Brasília (UnB) e possui mais de 20 anos de experiência incluindo a área ambiental, educacional e social. Além disso, tem experiência no terceiro setor, setor privado e no serviço público, onde ocupou cargos importantes de coordenação-geral e direção em diversos ministérios.

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