ESG, o futuro chegou e bate à sua porta

Leonardo Milhomem *

ESG. Se você não ouviu falar ainda nesta sigla, saiba que ela é a nova tendência no mundo corporativo e tende a se tornar cada vez mais comum no mercado financeiro, de capital e até mesmo dentro das empresas.

Mas antes de avançar em cada uma das letras da sigla ESG, eu gostaria de gastar algumas poucas linhas desta coluna para falar sobre “sustentabilidade”. Logo você leitor vai entender o porquê. Essa palavra “sustentabilidade”, sim, já é mais comum. As empresas, as escolas, o noticiário da TV falam muito sobre sustentabilidade ou desenvolvimento sustentável já faz algum tempo. Mas qual seria a relação da sustentabilidade com o ESG?

O Desenvolvimento Sustentável (ou muitas vezes chamado apenas de sustentabilidade) é, em poucas palavras, a possibilidade de promover o desenvolvimento (inclusive econômico) utilizando-se dos recursos disponíveis sem, contudo, prejudicar as gerações futuras. Neste caso a sustentabilidade está relacionada às questões ambientais, como: combate ao desmatamento, a não poluição, o reflorestamento, a diminuição de gases de efeito estufa, as emissões de carbono, a mudança climática e assim por diante.

Já o ESG é mais amplo, apesar de trazer em seu escopo a questão ambiental, é bem mais que isso. Ele surge de uma provocação de Kofi Annan (ex-Secretário-Geral da ONU) em 2004, ao lançar um desafio a 50 presidentes das maiores instituições financeiras do mundo indicando que as empresas deveriam se preocupar sim com as questões “ambientais”, (environmental do inglês) daí o “E”, mas também com as questões “sociais” representado pelo “S” e também de “governança” (como controles internos, integridade, compliance, transparência etc), daí o “G”. Assim se forma a sigla e os três pilares do ESG.

A máxima do mercado empresarial de apenas gerar lucro, passa então a considerar essas três letrinhas, onde a geração de lucro aos sócios e investidores continua como premissa, mas prevendo também que não se deve pensar apenas no lucro e prejudicar o meio ambiente ou a sociedade. A governança entra como uma questão relevante para garantir questões que não coloque a própria empresa em riscos indevidos.

Um dos marcos do ESG foi a carta aberta de 2020 do maior fundo de investimento do mundo, o BlackRock. Nesta carta, o CEO do fundo que gere mais de US$7,2 trilhões, relata uma mudança na sua postura de investimentos considerando, entre outras coisas, os riscos das mudanças climáticas para os investimentos e como eles se posicionaram em relação a isso. Em termos práticos eles entenderam que as mudanças climáticas trazem diversos riscos também para quem investe e, por isso, os investimentos devem considerar empresas mais sustentáveis.

Mas se engana quem pensa que isso está isolado ou são apenas iniciativas pontuais. No Brasil a B3 (Bolsa de Valores) já criou até mesmo o Índice S&P/B3 Brasil ESG que procura medir a performance de títulos que cumprem critérios de sustentabilidade. Ou seja, quem investe na B3 já pode aportar seus recursos em empresas que são mais sustentáveis, sociais e mais confiáveis em sua governança.

Então para quem ainda pensa que “sustentabilidade” é andar pela floresta abraçando árvores, que o “social” é apenas cuidar das pessoas pobres e que governança é apenas ter mecanismos para que as empresas diminuam seus riscos e gere mais lucro, convido a ler as próximas colunas, pois o mercado financeiro e muitas empresas já entenderam que essa discussão é muito mais ampla e positiva.

Pois bem, parece que com o ESG surge como uma nova forma de ver o papel das empresas perante a sociedade e seus investidores. O ambientalismo deixa de ser coisa de apenas ativistas, o social deixa de ser apenas pensar na pobreza das pessoas e a governança passa a ser mais importante que nunca. Esses termos passam a circular agora dentre os engravatados, nos fundos de investimento, dentro das empresas, nas bolsas de valores, a pergunta que fica então é: Estamos vendo uma nova era do capitalismo nascer? Há quem diga que sim, mas só o tempo poderá dizer.

Te encontro nas próximas publicações desta coluna para discutirmos mais estes assuntos e entender como o ESG pode diminuir os riscos e como as empresas estão implementando suas ações.

* Leonardo Milhomem é especialista em gestão de Políticas e Sistemas Educacionais pela Escola Nacional de Administração Pública. É mestre em Gestão de Políticas e Sistemas Educacionais pela Universidade de Brasília (UnB) e possui mais de 20 anos de experiência incluindo a área ambiental, educacional e social. Além disso, tem experiência no terceiro setor, setor privado e no serviço público, onde ocupou cargos importantes de coordenação-geral e direção em diversos ministérios.

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