6 anos do misterioso acidente com o ministro Teori Zavascki

Jan Karsten - Dos bastidores

Foi há 6 anos e eu lembro como se fosse hoje daquela tarde de 19 de janeiro de 2017, onde tudo estava tão tranquilo no mundo político que eu já tinha “largando” o Congresso Nacional e estava voltando pra casa.

Janeiro é mês de recesso parlamentar e naquela época eu e minha equipe tínhamos algumas missões de enviar matérias para algumas TVs pelo Brasil e ainda gerar conteúdo pro portal de notícias Anexo 6. Geralmente nesse período, quando não é ano de posse de novo presidente da República e equipe, a gente tem que tirar “leite de pedra” diariamente para gerar e enviar matérias relevantes. Depois de termos conseguido enviar todas as matérias, voltando pra casa bem mais cedo do que o de costume em dias “normais” no Congresso, chega a notícia sobre a queda do avião e falecimento do então ministro do STF, Teori Zavascki e mais quatro pessoas, em Paraty, Rio de Janeiro, quando o ministro desistia das suas férias para voltar ao trabalho.

Na mesma hora eu telefonei pra minha colega e repórter do Anexo 6 na época, a talentosa Patrícia Fahlbusch e combinamos de retornar à Praça dos Três Poderes e nos encontrarmos bem na frente do STF para apurar e noticiar os acontecimentos para as TVs e entrar ao vivo pelo portal Anexo 6 (vídeo acima).

Quando chegamos no STF, encontramos quase todas as equipes de veículos nacionais chegando para transmitir a notícia e ali ficamos trocando várias informações e fazendo as apurações necessárias. Eram muitos detalhes pois o ministro Teori Zavascki estava envolvido em muitos casos importantes e polêmicos no STF: era relator de alguns processos da Operação Lava Jato, analisava uma série de delações premiadas que impactavam políticos com foro privilegiado, também partiu dele a decisão de afastar Eduardo Cunha de todas as suas funções na Câmara dos Deputados, inclusive da presidência e foi Zavascki quem assinou a prisão do 1º senador durante o exercício do mandato, Delcídio do Amaral.

Teori foi indicado em 2002 pelo presidente Fernando Henrique Cardoso para se tornar ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e se tornou ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) em 2012, indicado pela então presidente Dilma Rousseff.

Quem ficou com a vaga de Teori no STF após o acidente, foi o então ministro da justiça, Alexandre de Moraes, indicado pelo então presidente Michel Temer.

Lembro que as redes sociais estavam a todo vapor com as autoridades divulgando mensagens de luto, destacando a importância do ministro e demonstrando pesar pelo ocorrido; e em contra partida tínhamos muitos rumores da causa do acidente. O então presidente Michel Temer se preparava para fazer um discurso e assim o fez no início daquela noite.

Teori Zavascki faleceu aos 68 anos de idade e seu corpo foi velado e sepultado em Porto Alegre dois dias após o acidente de avião, no dia 21 de Janeiro de 2017. Morreram mais quatro pessoas no acidente: o empresário Carlos Alberto Fernandes Filgueiras, amigo de Zavascki, dono do Hotel Emiliano e da aeronave, o piloto Osmar Rodrigues, a massoterapeuta Maira Lidiane Panas Helatczuk, e a mãe dela, a professora Maria Ilda Panas.

Até hoje, seis anos após o acidente, esse foi um daqueles dias marcantes para quem acompanha a política de perto, nos bastidores. E olha que nos últimos 10 anos que estou convivendo no Congresso Nacional, posso afirmar que já vi de “quase tudo” que alguém possa imaginar. Sem dúvidas esse acontecimento gerou algumas mudanças no quadro político do Brasil e é uma página da história que sempre vai dar o que falar.

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