51% dos centros de saúde no mundo não atendem critérios de higiene básica

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Metade dos estabelecimentos de saúde em todo o mundo carece de serviços básicos de higiene, afirma o último relatório do Programa Conjunto de Monitoramento (JMP) da OMS e do UNICEF para Saneamento e Higiene

Metade dos estabelecimentos de saúde em todo o mundo carece de serviços básicos de higiene com água, sabão ou álcool em gel em locais onde os pacientes recebem atendimento e nos banheiros. A informação é do último relatório do Programa Conjunto de Monitoramento (JMP) da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) para Saneamento e Higiene.

Cerca de 3,85 bilhões de pessoas usam essas instalações, colocando-as em maior risco de infecção, destaca o documento, incluindo 688 milhões de pessoas que recebem atendimento em instalações sem nenhum serviço de higiene.

“As instalações e práticas de higiene em estabelecimentos de saúde não são negociáveis. A sua melhoria é essencial para a recuperação, a prevenção e a preparação da pandemia”, ressalta a diretora do Departamento de Meio Ambiente, Mudanças Climáticas e Saúde da OMS, Maria Neira.

Segundo ela, para que a higiene nos estabelecimentos de saúde seja garantida, é preciso aumentar os investimentos em medidas básicas, que incluem água potável, banheiros limpos e resíduos de saúde gerenciados com segurança.

“Encorajo os Estados-membros a intensificarem seus esforços para implementar seu compromisso na Assembleia Mundial da Saúde de 2019 de fortalecer os serviços de água, saneamento e higiene nos estabelecimentos de saúde e monitorar esses esforços”, acrescentou.

Intitulado “Progresso em água, saneamento e higiene em estabelecimentos de saúde 2000–2021: foco especial em água, saneamento e higiene e prevenção e controle de infecções”, o relatório também estabeleceu pela primeira vez uma linha de base global sobre serviços de higiene. Ao todo, o estudo avaliou dados de 40 países, representando 35% da população mundial, um aumento expressivo em relação aos 21 países em 2020 e 14 em 2019.

Situação alarmante – A estimativa global recém-estabelecida revela um quadro mais claro e alarmante do estado de higiene nos estabelecimentos de saúde. Embora 68% dos estabelecimentos de saúde tivessem instalações de higiene nos pontos de atendimento e 65% tivessem instalações para lavagem das mãos com água e sabão nos banheiros, apenas 51% tinham ambas e, portanto, atendiam aos critérios para serviços básicos de higiene. Além disso, um em cada 11 (9%) estabelecimentos de saúde em todo o mundo não tem nenhuma.

“Se os prestadores de serviços de saúde não têm acesso a um serviço de higiene, os pacientes não têm um estabelecimento de saúde”, afirmou a diretora de Água, Saneamento, Higiene, Clima, Meio Ambiente, Energia e Redução de Risco de Desastres do UNICEF, Kelly Ann Naylor.

“Hospitais e clínicas sem água potável e serviços básicos de higiene e saneamento são uma potencial armadilha mortal para mães grávidas, recém-nascidos e crianças. Todos os anos, cerca de 670 mil recém-nascidos perdem a vida para a sepse. Isso é um absurdo – ainda mais porque essas mortes são evitáveis.”

Prevenção de doenças – O relatório observa que mãos e ambientes contaminados desempenham um papel significativo na transmissão de patógenos nos estabelecimentos de saúde e na disseminação da resistência antimicrobiana. Intervenções para aumentar o acesso à lavagem das mãos com água e sabão e limpeza ambiental são a base dos programas de prevenção e controle de infecções e são cruciais para fornecer assistência de qualidade, principalmente para um parto seguro.

A cobertura das instalações de água, saneamento e higiene ainda é desigual entre as diferentes regiões e grupos de renda. Estabelecimentos na África ao sul do Saara, por exemplo, estão aquém dos serviços de higiene. Enquanto três quartos (73%) dos estabelecimentos de saúde na região em geral têm desinfetantes para as mãos à base de álcool ou água e sabão nos pontos de atendimento, apenas um terço (37%) tem instalações para lavagem das mãos com água e sabão nos banheiros. A grande maioria (87%) dos hospitais possui instalações para higienização das mãos nos pontos de atendimento, em comparação com 68% dos outros estabelecimentos de saúde.

Desigualdade – Ao mesmo tempo, nos países menos desenvolvidos, apenas 53% dos estabelecimentos de saúde têm acesso local a uma fonte de água protegida. Em comparação, o número global é de 78%, com hospitais (88%) se saindo melhor do que estabelecimentos de saúde menores (77%), e o número para o leste e sudeste da Ásia é de 90%. Globalmente, cerca de 3% dos estabelecimentos de saúde nas áreas urbanas e 11% nas áreas rurais não tinham serviço de água.

Dos países com dados disponíveis, um em cada dez estabelecimentos de saúde globalmente não tinha serviço de saneamento. A proporção de estabelecimentos de saúde sem serviços de saneamento variou de 3% na América Latina e no Caribe e no leste e sudeste da Ásia a 22% na África ao sul do Saara. Nos países menos desenvolvidos, apenas um em cada cinco (21%) tinha serviços de saneamento básico em estabelecimentos de saúde.

Os dados revelam ainda que muitos estabelecimentos de saúde carecem de limpeza ambiental básica e separação e descarte seguros de resíduos de saúde.

Semana da Água – O relatório está sendo lançado na Semana Mundial da Água, que ocorre em Estocolmo, na Suécia. A conferência anual, realizada de 23 de agosto a 1º de setembro, explora novas maneiras de enfrentar os maiores desafios da humanidade: de segurança alimentar e saúde a agricultura, tecnologia, biodiversidade e clima.

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